Os dois homens presos pelo assalto com reféns em Palmeira das Missões faziam ameaças constantes às vítimas e teriam agredido repetidas vezes uma idosa de 73 anos – que é a proprietária da loja. O inquérito, a cargo da Polícia Civil, apura o caso e investiga possível envolvimento de um terceiro criminoso na ação.
De acordo com a delegada Cristiane Van Riel Santos, as vítimas ouvidas até o momento relataram ameaças e violência durante as horas que passaram sob a mira dos criminosos.
— Elas afirmam que sofriam ameaça de morte a todo momento. O tiro efetuado no local por um dos assaltantes seria, inclusive, para mostrar que eles não estariam ‘brincando’, segundo essas vítimas. A agressão física foi sofrida pela idosa, que é proprietária da loja. Eles teriam passado a agredir essa vítima, com socos e coronhadas, no momento em que ela disse que não tinha dinheiro. Todas essas informações serão apuradas no inquérito — explica a delegada.
Segundo a Polícia Civil, após a ação, a idosa foi encaminhada ao Hospital de Caridade de Palmeira das Missões para atendimento. Ela já foi liberada e passa bem.
A Polícia Civil também investiga qual era a intenção dos criminosos: se eles foram ao local para efetuar um roubo ou se já tinham o objetivo de fazer um sequestro com restrição de liberdade das vítimas. Uma informação preliminar, passada por testemunhas, dá conta de que, ao perceberem que não havia dinheiro na loja, os criminosos decidiram ir embora. No entanto, ao chegar perto da saída do estabelecimento comercial, a dupla teria se deparado com brigadianos.
As equipes também irão apurar o motivo para a escolha da loja Meluchinha, um bazar que vende brinquedos, papelaria e utensílios domésticos no centro da cidade.
O assalto durou cerca de sete horas. Após horas de negociações e tensão, os dois criminosos se entregaram e libertaram os seis reféns que eram mantidos no interior do estabelecimento comercial.
Possível terceiro suspeito:
A delegada do caso afirma que há suspeitas do envolvimento de um terceiro homem na ação, que seria responsável por dar apoio a dupla para fugir da loja. Diligências são feitas no objetivo de verificar a participação. No inquérito, a Polícia Civil irá ouvir mais vítimas e testemunhas, e aguarda a conclusão de perícias médicas e nas armas usadas pelos criminosos.
Conforme a Polícia Civil, os dois homens presos foram interrogados ainda na noite da segunda-feira, na presença de uma advogada, e permaneceram em silêncio. Depois, a dupla foi encaminhada ao Presídio Estadual de Palmeira das Missões.
Os criminosos, que têm idades entre 20 e 30 anos, são naturais de Passo Fundo e têm antecedentes criminais, de acordo com a Polícia Civil. Eles foram autuados por roubo majorado (quando há possibilidade de aumentar a pena pelo crime) pelo concurso de pessoas e emprego de violência com arma restrita, sequestro com maus tratos a vítima idosa, disparo de arma de fogo (que teria ocorrido dentro da loja, mas não atingiu nenhum refém) e possível fraude processual (já que teriam quebrado um celular utilizado).
Cordão humano:
No início da ação, oito reféns estavam no local, incluindo a proprietária. Uma grávida que estava na loja foi liberada logo no começo, assim como outra mulher, que teria passado mal. A gestante recebeu atendimento médico e passa bem.
Após as negociações, a dupla decidiu se entregar e liberar as vítimas. No momento da rendição, os homens exigiram a presença da advogada de um dos criminosos e da imprensa perto do local onde seriam detidos. Eles saíram do estabelecimento comercial em uma espécie de cordão humano, com os reféns usados como escudos.
As negociações foram conduzidas pela Brigada Militar (BM). O Batalhão de Operações Especiais (BOPE) também foi acionado. Conforme o subcomandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) do Alto Jacuí, tenente coronel Marcelo Carpes, dois fatores aumentaram o tempo de negociações: as mudanças nas exigências dos criminosos e a espera pela chegada da advogada da dupla, que precisou se deslocar de carro de Passo Fundo.
O que diz a defesa da dupla presa:
A advogada Gabriele Casanova, que defende a dupla, afirmou que não tem informações sobre o possível envolvimento de uma terceira pessoa no crime. Ela afirma que os homens tinham a intenção de se entregar, e que a acionaram para que ela acompanhasse o momento da rendição.
— Em princípio, o que eles me relataram é que fariam um roubo, mas que a proprietária do local teria reagido e a situação saiu do controle. No entanto, desde o começo, os dois já tinham a intenção de se render, desde que fossem cumpridas as exigências, de que eu e equipes da imprensa estivéssemos presentes. Tanto que, no momento em que isso foi cumprido, eles se entregaram — reforçou a advogada.
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