Especiais Questão Indígena
Em meio a divergências, indígenas esperam mediação externa por cacicado
Joel Ribeiro de Freitas disse que espera um pronunciamento do Ministério Público Federal
07/01/2022 15h58 Atualizada há 5 anos
Por: Jonas Martins Fonte: Jornal Província
Carlinhos (Laranja) e Joel (Vermelho) se dizem cacique da Terra Indígena do Guarita (Foto: Montagem Jornal Província

O vereador de Redentora e cacique interino da Terra Indígena do Guarita, Joel Ribeiro de Freitas, disse em entrevista na Rádio Província na manhã de hoje, 7, que aguarda que o Ministério Público e a Polícia Federal possam intervir e mediar a situação que se criou em relação ao cacicado.

Joel foi eleito vice cacique no dia 19 de dezembro, na chapa de Valdonês Joaquim. Com a prisão do titular ele assumiu interinamente o comando da comunidade, inclusive, já cumprindo agendas oficiais em nome da Terra Indígena do Guarita.

O conflito que está instaurado dentro da Terra Indígena do Guarita, atualmente, coloca Joel Ribeiro de Freitas e Carlinhos Alfaiate em lados opostos numa suposta briga por poder. Carlinhos foi eleito em 2018 e acredita que o mandato dele vai até dezembro de 2022, por isso, ele não reconheceu a legitimidade da eleição ocorrida em dezembro passado e ainda sustenta-se no cargo.

Em tese hoje a comunidade está dividida e seguindo dois caciques, Joel, que neste caso representa Valdonês Joaquim e Carlinhos. Ambos dizem que têm apoio da maioria dos moradores da Terra Indígena do Guarita.

Para sustentar a sua tese de que no momento possuiu um apoio maior na comunidade, Joel faz uso dos números da eleição de dezembro, onde segundo a Comissão Eleitoral, mais de 60% do eleitorado indígena compareceu as urnas, mesmo diante de supostas ameaças de Alfaiate e de este ter fechado alguns locais de votação.

Já Carlinhos por sua vez diz que a eleição foi forjada, que não tem respaldo das autoridades e que os números da eleições não podem ser levados em conta, uma vez que o pleito não tinha legitimidade e nem credibilidade.

Outro ponto que ambos sustentam ter é o reconhecimento de autoridades constituídas como a Fundação Nacional do Índio, Polícia Federal e Ministério Público Federal. Nenhum desses órgão se pronunciou oficialmente e quando questionados sustentam a tese de que a comunidade tem total liberdade e autonomia para decidir sobre sua forma de organização e por consequência sobre a constituição de suas lideranças.

Por enquanto, em tese, duas lideranças estão se proclamando cacique. Uma com sede na Estiva,  interior de Redentora, encabeçada por Carlinhos Alfaiate e outra em São João do Irapuá em Redentora e KM 10, em Tenente Portela, encabeçadas por Joel Ribeiro de Freitas representando Valdonês Joaquim.

 

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