Agro Agronegócio
Exportações de maçã do Rio Grande do Sul para a União Europeia crescem 70%
Estado respondeu por mais de 9 mil toneladas de maçãs exportadas à Europa em 2026; safra brasileira recuperada e redução de tarifas de importação contribuíram para o avanço
13/10/2026 10h18
Por: Leonardo Datsch Fonte: Jornal Província
Foto : Gilmar Ribeiro Nachtigall

O Rio Grande do Sul ampliou em 70% o volume e a receita das exportações de maçã para a União Europeia em 2026, alcançando US$ 7,658 milhões em faturamento e 7.460 toneladas comercializadas. O resultado reforça a participação gaúcha no mercado internacional da fruta, impulsionada principalmente pela recuperação da produção brasileira após quatro anos de safras menores.

Os dados, referentes aos embarques realizados até agosto, mostram que o estado teve participação expressiva nas vendas brasileiras para o mercado europeu. Considerando a Europa como um todo, incluindo destinos fora da União Europeia, o Brasil movimentou US$ 15,832 milhões com a exportação de maçãs, um crescimento de 111% em relação a 2025. O volume comercializado aumentou 104%, passando de aproximadamente 7,3 mil para 14,9 mil toneladas.

Desse total, o Rio Grande do Sul respondeu por US$ 9,427 milhões em receita, equivalente a 59,54% do faturamento brasileiro, além de 9.161 toneladas embarcadas, o que representa 61,31% do volume exportado ao continente.

Safra maior impulsiona os embarques

Embora o acordo firmado entre União Europeia e Mercosul tenha contribuído para facilitar as exportações, com a retirada de tarifas de importação que anteriormente giravam em torno de 10%, o principal fator para o crescimento foi a recuperação da produção nacional.

Segundo Rafael de Oliveira, vice-presidente de Comercialização da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), a safra brasileira voltou a níveis normais após quatro anos de produção reduzida, ampliando a disponibilidade da fruta para o mercado externo.

O Brasil exportou aproximadamente 50 mil toneladas de maçã em 2026, segundo o dirigente, com os produtores gaúchos responsáveis por cerca de 76% desse volume. A participação evidencia a importância do estado para o abastecimento de mercados internacionais.

Expectativa positiva para 2027

As perspectivas para a próxima safra são favoráveis. A expectativa do setor é ampliar as exportações em 2027, especialmente diante da previsão de quebra na produção europeia da variedade Gala, uma das principais cultivadas no Brasil.

Apesar do cenário positivo, o resultado dependerá das condições climáticas nos próximos meses. As chuvas previstas para outubro e novembro preocupam os produtores, que aguardam para avaliar os possíveis impactos sobre o tamanho e a qualidade da safra brasileira.

Outro desafio é atender às rigorosas exigências fitossanitárias da União Europeia, especialmente em relação aos limites de resíduos de produtos utilizados no tratamento dos pomares. Embora seja um mercado importante, a Europa não representa atualmente o principal destino das maçãs brasileiras.

Rio Grande do Sul tem papel estratégico

O estado responde por aproximadamente 48% da produção brasileira de maçãs e mantém participação relevante na expansão das vendas internacionais. Apesar dos resultados positivos, o setor avalia que os embarques poderiam ter sido maiores neste ano, mas o atraso na colheita e os impactos da guerra no Oriente Médio limitaram parte das operações.

Atualmente, cerca de 70% das exportações brasileiras da fruta têm como destino Índia, Bangladesh e Arábia Saudita. Para a próxima safra, a expectativa dos produtores é dobrar o volume exportado em relação a 2026, ampliando a presença brasileira no mercado internacional e fortalecendo a participação gaúcha no comércio da fruta.


■ Notícias no WhatsApp:
Receba as notícias do Site Clic Portela no seu telefone celular! Clique aqui e faça parte do nosso grupo de WhatsApp.