Política / Democracia Caso Master no STF
Fachin discute com diretor da PF citações a ministros do STF no caso Master
Presidente da Corte busca esclarecimentos sobre informações reunidas pela investigação; envio dos elementos à PGR é defendido como alternativa para reduzir tensões internas
13/10/2026 08h54
Por: Leonardo Datsch Fonte: Jornal Província
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reúne-se nesta terça-feira (13) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para tratar das menções a integrantes da Corte nas investigações envolvendo o Banco Master. O encontro foi solicitado pelo diretor da PF, e Fachin pediu acesso ao material levantado pela corporação, ressaltando que nenhum fato ou pessoa deve ficar de fora da apuração.

As informações reunidas pela Polícia Federal fazem referência, em diferentes contextos, a pelo menos seis dos dez ministros do STF ou a seus familiares. Também há citações a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A situação amplia a pressão sobre Fachin para definir como os dados serão encaminhados e tratados institucionalmente, em meio a divergências entre ministros.

Uma das alternativas discutidas nos bastidores é o envio dos elementos reunidos pela PF à Procuradoria-Geral da República (PGR), para análise técnica. Integrantes de grupos ligados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça defendem que todos os citados recebam o mesmo tratamento, sem que a medida seja condicionada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também aparece no caso. A avaliação é de que esse encaminhamento poderia dar respaldo às decisões do Supremo e contribuir para diminuir os atritos internos.

A crise ganhou força nos últimos meses, após a divulgação de informações sobre diferentes relações envolvendo ministros, familiares e pessoas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em abril de 2025, veio a público a contratação do escritório da mulher de Alexandre de Moraes pelo banco. Posteriormente, foi divulgado que o contrato teria valor aproximado de R$ 130 milhões. Neste ano, a PF apontou que Moraes foi interlocutor em pelo menos 52 mensagens enviadas por Vorcaro, inclusive no dia da prisão do banqueiro.

Outros episódios também ampliaram o desgaste. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso após a divulgação de informações sobre negócios envolvendo fundos do Banco Master e uma sociedade relacionada a um resort de sua família, no Paraná. Já Nunes Marques e familiares foram mencionados em mensagens e informações relacionadas a contratações. O filho de Luiz Fux também foi citado em um episódio envolvendo um suposto pedido de ajuda em processo.

No caso de André Mendonça, foram divulgadas informações sobre um encontro com Vorcaro, uma fotografia com um advogado do banqueiro e um pedido de investigação sobre possível relação entre o Banco Master e o Instituto Iter, ligado ao ministro. Também vieram a público informações sobre a contratação de Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar Mendes, por Vorcaro, além de uma reunião e tentativas de aproximação.

A atuação da Polícia Federal inclui a individualização das citações para identificar o contexto de cada referência. O resultado desse trabalho pode influenciar os próximos passos da investigação e a resposta institucional do Supremo. Embora relatos indiquem uma melhora no clima entre grupos de ministros após o primeiro turno das eleições, as divergências persistem. Moraes e Mendonça continuam sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.

Todos os ministros e familiares mencionados negam irregularidades ou envolvimento ilícito com Daniel Vorcaro.

■ Notícias no WhatsApp:
Receba as notícias do Site Clic Portela no seu telefone celular! Clique aqui e faça parte do nosso grupo de WhatsApp.