Lionel Messi se despede da seleção argentina nesta terça-feira (6), no amistoso contra o Benin, no estádio Monumental de Buenos Aires. Aos 39 anos, o camisa 10 encerra mais de duas décadas defendendo a equipe nacional e deixa para trás uma das trajetórias mais vitoriosas e simbólicas da história do futebol argentino.
A despedida acontece diante de cerca de 85 mil torcedores, em uma noite que promete ser muito mais do que um simples amistoso. Para os argentinos, será a oportunidade de homenagear o jogador que durante anos carregou a expectativa de um país apaixonado por futebol e que, depois de inúmeras frustrações, conduziu a seleção de volta ao topo do mundo.
A relação de Messi com a seleção nem sempre foi marcada apenas por celebrações. Durante boa parte de sua carreira, o craque conviveu com críticas e com a cobrança por conquistar títulos importantes com a Argentina. As derrotas em finais da Copa América e da Copa do Mundo fizeram com que o jogador fosse questionado, mesmo sendo considerado um dos maiores talentos da história.
A história começou a mudar em 2021, quando Messi conquistou a Copa América. No ano seguinte, veio a Finalíssima e, em 2022, o momento que transformou definitivamente sua relação com os torcedores: o título da Copa do Mundo do Catar.
A conquista da terceira estrela encerrou uma espera de 36 anos e colocou Messi definitivamente ao lado dos maiores ídolos da história do futebol argentino. O jogador recebeu a taça que durante tanto tempo parecia destinada a permanecer distante e passou a ocupar um lugar ainda mais especial no coração dos torcedores.
Com a camisa albiceleste, Messi conquistou uma Copa do Mundo, duas Copas América e uma Finalíssima. Também estabeleceu marcas que ajudam a dimensionar sua importância para a seleção.
São 207 partidas, 125 gols e 68 assistências, números que o colocam como o maior artilheiro, maior assistente e jogador que mais vezes vestiu a camisa argentina.
Mais do que as estatísticas, porém, Messi representa uma geração que passou de anos de frustração para um período de glórias. A seleção argentina encontrou no craque o principal símbolo de uma equipe que voltou a conquistar títulos e recuperou o orgulho dos torcedores.
No Monumental, Messi estará acompanhado de companheiros que dividiram com ele os momentos mais importantes dessa trajetória, incluindo os campeões mundiais de 2022. Alguns, como Ángel Di María, já deixaram a seleção, enquanto outros também podem estar próximos do fim do ciclo.
Ao mesmo tempo, jovens jogadores começam a assumir espaço na equipe. Franco Mastantuono, Nico Paz, Leonel Flores e outros nomes representam uma nova geração que terá a difícil missão de manter a Argentina entre as principais seleções do mundo.
O técnico Lionel Scaloni também terá o desafio de conduzir essa transição. O treinador reconhece que substituir Messi será praticamente impossível, mas aposta na força coletiva para manter o nível alcançado nos últimos anos.
Messi não deixa apenas uma seleção. Deixa uma camisa, uma braçadeira e um legado que ultrapassa o futebol.
Para milhões de argentinos, ele foi o jogador que transformou a frustração em felicidade, que devolveu a Copa do Mundo ao país e que fez uma geração inteira voltar a acreditar que era possível conquistar novamente os maiores títulos.
Por isso, o jogo contra o Benin terá um significado especial. Quando Messi entrar em campo pela última vez com a camisa albiceleste, a Argentina não estará apenas se despedindo de seu maior jogador da atualidade. Estará encerrando uma era que começou em 2005 e que mudou para sempre a história recente do futebol do país.
A camisa 10, por enquanto, ficará sem dono. Mas o lugar de Messi na história da Argentina já está ocupado há muito tempo.