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Fator humano integra a gestão de riscos no transporte
Cansaço, jornadas extensas e pressão por produtividade podem alterar a atenção, o tempo de reação e a tomada de decisão ao volante. Especializada em gerenciamento de riscos para o setor de transporte, a GR Parceria explica de que maneira as condiç...
05/10/2026 17h24
Por: Radar Nacional Fonte: Agência Dino

As rodovias federais brasileiras registraram 72.529 sinistros de trânsito, 83.550 pessoas feridas e 6.043 mortes em 2025, de acordo com o anuário estatístico divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Entre as causas presumíveis, a ausência de reação do condutor apareceu à frente das demais, com 11.469 ocorrências, seguida pela reação tardia ou ineficiente, com 10.799 registros. O peso desses fatores coloca o comportamento de quem dirige no centro das análises sobre segurança viária e tem levado o transporte rodoviário de cargas a ampliar estratégias de prevenção que tradicionalmente se concentram em veículos, cargas, rotas e tecnologia embarcada.

Nesse desenho ampliado, as condições físicas e emocionais dos profissionais responsáveis pela condução passam a integrar a mesma análise de risco aplicada a ativos e trajetos. A GR Parceria, especializada em gerenciamento de riscos para o setor de transporte, avalia que o segmento avançou em tecnologia, monitoramento e análise de dados, mas que o fator humano ainda pode receber menos atenção do que os aspectos relacionados ao veículo, à carga ou à rota. Para a empresa, tecnologia e processos são importantes, embora precisem estar associados a uma visão que considere também as pessoas envolvidas na operação.

A empresa informa que o motorista está inserido em um ambiente que envolve jornadas, prazos, condições de trabalho, pressão operacional e diferentes níveis de exposição ao risco. Por isso, entender como essas condições podem influenciar o comportamento e a capacidade de resposta do condutor é fundamental para uma gestão de riscos mais completa.

Efeitos sobre atenção e tempo de reação

Segundo a companhia, o cansaço e o estresse podem comprometer funções essenciais para uma condução segura. A redução da atenção e da concentração, o aumento do tempo de reação, lapsos de percepção e decisões mais impulsivas ou menos cuidadosas estão entre os efeitos capazes de elevar a exposição ao risco. A empresa acrescenta que jornadas extensas e pressão constante por produtividade podem fazer com que sinais de fadiga sejam normalizados pelo próprio profissional ou pela operação, sem que exista uma manifestação evidente.

Um motorista pode continuar desempenhando suas atividades normalmente, enquanto sua capacidade de resposta já está sendo afetada, pondera a GR Parceria, ao defender que o gerenciamento de riscos também trabalhe com prevenção e identificação de condições que possam aumentar a vulnerabilidade da operação.

A leitura desses sinais, avalia a empresa, exige observar não apenas ocorrências, mas igualmente mudanças de comportamento e indicadores ligados à rotina operacional. Alterações na condução, aumento de desvios, dificuldades de comunicação, atrasos recorrentes, sinais de desatenção ou maior dificuldade para seguir procedimentos podem indicar que existe algum fator interferindo no desempenho. O que costuma passar despercebido é justamente aquilo que não gera uma ocorrência imediata, uma vez que fadiga, estresse e esgotamento podem se acumular ao longo do tempo sem produzir um evento evidente, ainda que aumentem gradualmente a exposição ao risco.

Condições de trabalho no retrato da categoria

Levantamentos setoriais ajudam a dimensionar o contexto em que essas condições se formam. A 3ª Pesquisa Nacional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que ouviu 2.002 caminhoneiros autônomos em 11 estados entre junho e agosto de 2025, apontou jornada média diária de 14 horas de trabalho e permanência média de 16 dias por mês fora do convívio familiar. O estudo indicou ainda que 96% dos entrevistados descansam em postos de combustível, diante da falta de pontos de parada adequados, e que 56,7% relatam alguma comorbidade.

Prevenção incorporada à rotina da operação

Para a GR Parceria, medidas de prevenção podem ser incorporadas à rotina sem representar grandes mudanças estruturais. A empresa cita o planejamento adequado das jornadas, o respeito aos períodos de descanso, a organização das escalas, o acompanhamento de indicadores operacionais e a criação de canais para que o motorista comunique situações de fadiga ou dificuldade. Também considera fundamental promover uma cultura em que a segurança não seja vista como obstáculo à produtividade.

Quando descanso, planejamento e condições adequadas de trabalho passam a fazer parte da prevenção, avalia a companhia, a operação tende a ganhar mais previsibilidade e controle. O resultado apontado pela empresa não se limita à redução da exposição a riscos, alcançando também uma operação mais organizada, com decisões baseadas em prevenção e não somente na resposta a ocorrências.

Essa discussão, assinala a GR Parceria, não pode transferir ao motorista a responsabilidade exclusiva pelo que acontece na estrada. A companhia observa que o profissional faz parte de um sistema maior e que suas decisões são influenciadas pelas condições em que a operação é planejada e executada. Cabe à gestão estabelecer processos, dimensionar adequadamente as jornadas, acompanhar indicadores, oferecer condições apropriadas de trabalho e utilizar as informações disponíveis para identificar e reduzir riscos, de modo que a análise deixe de buscar culpados após uma ocorrência e passe a identificar os fatores que contribuíram para que ela acontecesse.

A empresa entende que a relação entre saúde emocional e segurança precisa avançar para além de situações extremas, já que fadiga, estresse e sobrecarga podem fazer parte da rotina de diferentes profissionais do transporte e, quando não acompanhados, aumentam de forma gradual a exposição ao risco. Nessa leitura, o fator humano deve ser incorporado às estratégias de gerenciamento de riscos de maneira estruturada, ao lado de tecnologia, processos, monitoramento e planejamento operacional, colocando pessoas, procedimentos e ferramentas dentro da mesma estratégia de proteção.

Para mais informações, basta acessar: https://grparceria.com.br/