O primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4), registrou o maior índice de abstenção em uma eleição geral desde 1998. Ao todo, 21,08% dos eleitores aptos a votar não compareceram às urnas, o equivalente a mais de 33 milhões de pessoas.
Com 99,91% das urnas apuradas, 33.428.584 eleitores haviam deixado de votar. O percentual supera o registrado no primeiro turno de 2022, quando a abstenção foi de 20,93%, e mantém uma trajetória de crescimento observada nas últimas eleições gerais.
Em 2018, 20,33% dos eleitores não compareceram. Em 2014, o índice havia sido de 19,39%, enquanto em 2010 ficou em 18,12%. O percentual de 2026, portanto, representa a continuidade de uma sequência de aumento do número de eleitores que deixam de participar diretamente da votação.
Além dos eleitores que não compareceram às urnas, uma parcela daqueles que foram votar optou por não escolher nenhum dos candidatos.
No primeiro turno de 2026, os votos brancos representaram 1,84%, enquanto os votos nulos chegaram a 2,93%. Somados, os votos brancos e nulos corresponderam a 4,77% dos votos registrados.
Considerando a abstenção e os votos brancos e nulos, uma parcela expressiva do eleitorado não registrou um voto válido em um candidato nas disputas realizadas neste primeiro turno.
A taxa de ausência não foi igual em todo o país. Mato Grosso do Sul registrou o maior índice de abstenção, com aproximadamente 23,85% dos eleitores aptos deixando de votar.
O Rio de Janeiro apresentou a segunda maior taxa, com 23,31%, seguido por Minas Gerais, com 22,62%. Na sequência aparecem São Paulo, com 22,54%, e Mato Grosso, com 22,18%.
Os cinco estados ficaram acima da média nacional de 21,08%.
Na outra ponta, o Ceará apresentou a menor taxa de abstenção do Brasil, com 15,33% dos eleitores aptos deixando de comparecer às urnas.
O Piauí teve o segundo menor índice, com 17,07%, seguido por Roraima, com 17,10%, Sergipe, com 17,27%, e Paraíba, com 17,36%.
A região Nordeste, de maneira geral, apresentou índice de abstenção abaixo da média nacional. Segundo dados divulgados após a apuração, a região registrou cerca de 18,36% de ausências, contra pouco mais de 21% no conjunto do país.
O resultado de 2026 reforça uma tendência de crescimento da abstenção nas eleições presidenciais das últimas décadas.
| Eleição | Abstenção |
|---|---|
| 2010 | 18,12% |
| 2014 | 19,39% |
| 2018 | 20,33% |
| 2022 | 20,93% |
| 2026 | 21,08% |
Em números absolutos, foram 24,6 milhões de ausentes em 2010, 27,7 milhões em 2014, 29,9 milhões em 2018 e 32,7 milhões em 2022. Em 2026, o número ultrapassou a marca de 33 milhões de eleitores.
O índice registrado neste domingo também supera o observado em 1998, quando a abstenção chegou a 21,5%, embora a comparação considere contextos eleitorais e eleitorados diferentes. O resultado de 2026 é apontado como o maior nível de ausência desde aquele pleito.
Com o primeiro turno encerrado, o cenário de participação eleitoral passa a ser também uma questão de atenção para o segundo turno, marcado para 25 de outubro nos locais onde a disputa não foi definida na primeira etapa.
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