Esportes Esporte
Clubes ameaçam parar Brasileirão após fim das bets
Dirigentes articulam reação contra a medida do governo federal e cobram alternativas para compensar as perdas financeiras provocadas pelo encerramento dos contratos de patrocínio
30/09/2026 11h33
Por: Andre Eberhardt Fonte: Jornal Província com informações Zero Hora
Ministro do Esporte cancelou a reunião que estava marcada para a última terça-feira. (Foto: Agência Brasil/Divulgação)

Clubes brasileiros estudam endurecer a reação à proibição das chamadas bets e admitem, como forma de pressão, a possibilidade de interromper o Campeonato Brasileiro. A informação foi divulgada pelo colunista Marcel Rizzo, do jornal O Estado de S. Paulo, e confirmada pelo jornal Zero Hora.

De acordo com a apuração, a mobilização é liderada principalmente por dirigentes de clubes do Rio de Janeiro, com apoio de parte dos paulistas. Equipes de outros estados, porém, apresentam resistência à proposta. A adesão poderá depender também da reação das torcidas nas redes sociais e nos estádios, com a retomada dos jogos na próxima semana.

Um dos sinais de descontentamento ocorreu com o cancelamento de uma reunião que estava prevista entre representantes dos clubes e o Ministério do Esporte. Oficialmente, a pasta atribuiu o adiamento à proximidade do encontro e à disponibilidade de voos para o deslocamento dos participantes. A reportagem informa, contudo, que os clubes teriam boicotado a reunião.

A paralisação, neste momento, aparece mais como instrumento de pressão do que como uma decisão efetivamente tomada. Os dirigentes reivindicam medidas que permitam recuperar parte dos recursos que deixarão de entrar com o encerramento dos contratos firmados com empresas de apostas. Segundo estimativa citada pela Zero Hora, as perdas dos clubes ultrapassariam R$ 1,1 bilhão, sem considerar os valores relacionados à CBF.

Os clubes também pressionam a CBF para que a entidade atue em defesa dos seus afiliados diante do governo federal. Uma das alternativas apresentadas foi uma linha de crédito destinada exclusivamente ao pagamento de dívidas, mas os dirigentes consideram essa medida insuficiente para enfrentar o impacto financeiro sobre as equipes.

Outra frente envolve o Supremo Tribunal Federal. Segundo a reportagem, os clubes pretendem participar como interessados nas ações que questionam a proibição das apostas. A ANJL e o IBJR já integram como interessados um dos processos que discutem o marco regulatório do setor no Supremo. Nesta semana, a ANJL e outra entidade também ajuizaram ações contra a nova medida provisória.

O fim dos contratos de apostas preocupa os clubes pelo peso que esses valores tinham em seus orçamentos. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou à TV Fla que a saída dos patrocínios representará perdas de R$ 20 milhões para os esportes olímpicos, R$ 63 milhões em placas publicitárias e R$ 27 milhões no Campeonato Carioca. Ele também questionou a arrecadação de impostos obtida anteriormente pelo governo com o setor.

A proibição foi estabelecida pela Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto impede, em território nacional, a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. As autorizações existentes devem ser encerradas no prazo previsto pela medida, e o texto ainda estabelece mecanismos para bloquear plataformas e transações relacionadas às apostas.

O governo justificou a decisão com argumentos relacionados à proteção dos consumidores e das famílias, citando impactos econômicos e sociais associados ao endividamento e ao chamado jogo problemático. A MP também prevê a devolução dos valores existentes nas contas dos apostadores durante o período de encerramento das operações.

A própria estimativa oficial aponta redução da arrecadação tributária de R$ 1,541 bilhão em 2026, R$ 5,150 bilhões em 2027 e R$ 5,330 bilhões em 2028. Também está prevista uma queda na arrecadação da taxa de fiscalização de R$ 38,4 milhões entre setembro e dezembro de 2026 e de R$ 115,2 milhões em cada um dos dois anos seguintes.

A medida provisória já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para permanecer definitivamente como lei.

 

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