O excesso de chuva no Rio Grande do Sul aumenta a preocupação dos produtores de trigo na reta final da safra. Com grande parte das lavouras entrando nas fases de enchimento de grãos e maturação, a umidade elevada pode comprometer justamente um dos pontos mais importantes para o produtor: a qualidade do cereal.
Entre os principais riscos está a germinação pré-colheita, fenômeno que ocorre quando o grão começa a germinar ainda dentro da espiga devido à combinação de maturação e excesso de umidade. O problema pode reduzir a qualidade do trigo e, consequentemente, seu valor comercial.
As chuvas também aumentam o risco de doenças nas espigas, como a giberela, especialmente em áreas que ainda não chegaram à colheita. Por isso, o momento da retirada dos grãos da lavoura passa a ser decisivo para evitar perdas.
Apesar das condições climáticas adversas, a avaliação da Embrapa Trigo é de que as lavouras gaúchas apresentam, de forma geral, boa condição sanitária e potencial produtivo acima do esperado inicialmente. No entanto, a fase atual exige atenção redobrada.
A orientação é que o produtor acompanhe as condições climáticas e não deixe o trigo maduro por muito tempo no campo. O atraso na colheita, diante de períodos de chuva, pode aumentar o risco de perda de qualidade e gerar prejuízos financeiros.
O impacto é relevante porque o trigo que perde qualidade pode ter menor valor de comercialização, afetando diretamente a renda dos agricultores. Além disso, problemas na qualidade do cereal podem aumentar os custos com secagem, armazenamento e classificação da produção.
A safra gaúcha tem uma área projetada de 814,2 mil hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare. Diante desse cenário, a combinação entre uma boa produção e a necessidade de preservar a qualidade coloca o clima como um dos principais fatores de atenção nesta reta final da colheita.
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