Agro Produção Leiteira
RS perde 65% dos produtores de leite em uma década
Número de produtores caiu de 84 mil para 28 mil, e Emater alerta que estado pode ter menos de 3 mil em 25 anos se cenário não mudar
24/09/2026 10h09
Por: Leonardo Datsch Fonte: Jornal Província
Foto: Motion Array / Divulgação CR

O Rio Grande do Sul perdeu 65% dos produtores de leite na última década, segundo levantamento da Emater/RS. O número caiu de aproximadamente 84 mil para 28 mil produtores, acendendo um alerta para o futuro da atividade, especialmente nas pequenas propriedades e na agricultura familiar.

Entre os principais fatores que têm levado produtores a abandonar a atividade estão as perdas provocadas por eventos climáticos extremos, os preços considerados baixos pagos pelo litro de leite, o aumento dos custos de produção e a dificuldade de sucessão familiar.

Apesar da forte redução no número de produtores, a produção estadual permanece próxima de 4 bilhões de litros por ano. O cenário indica que os produtores que continuam na atividade vêm buscando maior produtividade e eficiência para compensar a saída de propriedades.

Pequenos produtores são os mais vulneráveis

Um levantamento realizado pela Emater com 571 famílias que deixaram a produção de leite mostrou o perfil de parte desses produtores. Cerca de 37% trabalhavam em propriedades de até 10 hectares, com rebanhos de 11 a 15 vacas e produtividade média de 18 litros por animal.

A mão de obra também é predominantemente familiar: em média, 2,6 pessoas estavam envolvidas na atividade, sendo 93% integrantes da própria família.

A dificuldade de manter a produção, somada à falta de sucessores interessados em continuar no campo, tem contribuído para a redução do número de propriedades.

Alerta para o futuro

Segundo a Emater/RS, se não houver mudanças no cenário atual, o estado poderá ter menos de 3 mil produtores de leite daqui a 25 anos. A redução preocupa principalmente pelo impacto econômico e social que a atividade representa para pequenos municípios gaúchos.

Para permanecer no setor, produtores têm buscado investimentos em genética, tecnologia e eficiência. Mesmo assim, os desafios financeiros, climáticos e familiares continuam pressionando a atividade.

A redução no número de produtores não significa, até o momento, uma queda proporcional na produção de leite. O desafio está em manter a atividade economicamente viável e garantir a permanência de novas gerações no campo.

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