A Região Celeiro registrou redução de 7,2% no conjunto dos indicadores criminais durante os dois primeiros quadrimestres de 2026. O total passou de 656 ocorrências entre janeiro e abril para 609 no período de maio a agosto. A queda, entretanto, ocorreu paralelamente ao crescimento de delitos como homicídio doloso, furto, roubo, abigeato e tráfico de entorpecentes.
Os dados foram extraídos do site da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) e abrangem os 21 municípios da Região Celeiro. O comparativo considera os números absolutos das categorias criminais apresentadas.
Furtos crescem, enquanto estelionatos recuam
Os furtos permaneceram como o indicador mais recorrente nos dois períodos. Foram contabilizados 251 casos no primeiro quadrimestre e 277 no segundo – aumento de 10,4%. Em movimento contrário, os estelionatos, que ocupavam a segunda posição, diminuíram de 239 para 151 – redução de 36,8%.
A retração das fraudes teve influência direta na queda do total regional. Somados, furtos e estelionatos representaram 490 ocorrências entre janeiro e abril e 428 nos quatro meses seguintes.
Outros indicadores apresentaram crescimento. Os casos de abigeato passaram de 13 para 21 – alta de 61,5%, enquanto os roubos aumentaram de 14 para 20. O tráfico de entorpecentes avançou de 52 para 64 registros, elevação de 23,1%, e os roubos de veículos subiram de um para três.
Em sentido contrário, os delitos relacionados a armas e munições recuaram de 34 para 29. As ocorrências de posse de entorpecentes diminuíram de 37 para 27, enquanto os furtos de veículos passaram de 13 para nove.
Outro dado que chama a atenção é o avanço dos homicídios dolosos. A Região Celeiro contabilizou duas ocorrências e duas vítimas no primeiro quadrimestre. Entre maio e agosto, foram oito casos, com nove pessoas mortas.
Apesar do aumento dos homicídios, três indicadores abordados pela SSP-RS não tiveram ocorrências na Região Celeiro no segundo quadrimestre: latrocínio, vítimas de latrocínio e vítimas de lesão corporal seguida de morte. Os dados revelam, assim, comportamentos distintos entre os crimes violentos letais no período analisado.
Municípios mais populosos concentram ocorrências
Três Passos, Tenente Portela e Santo Augusto apresentaram os maiores volumes de registros nos dois quadrimestres. As três localidades também possuem as maiores populações da Região Celeiro – aspecto que precisa ser considerado na interpretação dos números absolutos.
Juntos, os municípios concentraram 331 das 656 ocorrências verificadas entre janeiro e abril – o equivalente a 50,5% do total regional. No período seguinte, responderam por 329 dos 609 casos – aproximadamente 54%. Mesmo com dois registros a menos, a participação dessas localidades no conjunto da Região Celeiro aumentou.
Três Passos permaneceu na primeira posição, embora tenha computado queda de 169 para 156 ocorrências – recuo de 7,7%. Os furtos passaram de 63 para 66, enquanto os estelionatos diminuíram de 57 para 38. O tráfico de drogas caiu de 30 para 22 casos e a posse de entorpecentes, de 14 para dez. Por outro lado, os delitos relacionados a armas e munições aumentaram de um para 12.
Tenente Portela ocupou a segunda colocação e apresentou crescimento de 10,7% – passando de 103 para 114 registros. Os furtos aumentaram de 49 para 57 e os estelionatos, de 28 para 34. Entre maio e agosto, o Município também contabilizou dois homicídios dolosos, além de crescimento nos furtos de veículos, que avançaram de três para quatro casos.
Santo Augusto ficou em terceiro lugar, com 59 ocorrências em cada quadrimestre. Apesar da estabilidade no total, houve mudança significativa na composição dos indicadores. Os furtos triplicaram, passando de dez para 30, enquanto os estelionatos recuaram de 32 para nove. O tráfico de entorpecentes aumentou de nove para 13 registros.
Os dados correspondem a números absolutos. Por isso, a maior concentração de casos nesses municípios não significa, isoladamente, que eles apresentem as maiores taxas de criminalidade. Uma comparação proporcional exigiria relacionar as ocorrências à população de cada localidade.
Mesmo formada predominantemente por municípios considerados de pequeno porte, a Região Celeiro enfrenta desafios permanentes na área da segurança pública. O cenário exige atenção das administrações municipais e articulação contínua com os órgãos estaduais responsáveis pelo policiamento, pela investigação e pela formulação de estratégias de prevenção.
O levantamento indica que a redução regional foi impulsionada principalmente pela queda dos estelionatos. Ao mesmo tempo, o crescimento de diferentes categorias, especialmente dos homicídios dolosos, furtos, roubos, abigeatos e ocorrências relacionadas ao tráfico, demonstra que a diminuição do total não elimina os desafios enfrentados pela segurança pública na região.
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