As lavouras de trigo acompanhadas pela regional da Emater-Ascar de Ijuí, que engloba a Região Celeiro, avançam no ciclo de desenvolvimento, mas permanecem sob monitoramento após episódios pontuais de geada e granizo. Três Passos está entre os municípios onde as pedras de gelo causaram os danos mais intensos.
Na área de abrangência da regional, 48% das plantações encontram-se em floração, 33% estão no enchimento de grãos, 10% continuam em desenvolvimento vegetativo e 9% já alcançaram a maturação. A concentração dos cultivos no período de florescimento exige acompanhamento mais rigoroso – tanto pelos possíveis efeitos dos eventos meteorológicos quanto pela maior vulnerabilidade a doenças.
O granizo provocou lesões em espiguetas, espigas e folhas, com maior intensidade em Três Passos, Ibirubá e Santa Bárbara do Sul. A extensão dos danos e os possíveis reflexos sobre o potencial produtivo, contudo, ainda não podem ser dimensionados. Uma avaliação mais precisa dependerá da evolução das lavouras nas próximas semanas.
Em relação à geada, a análise inicial identificou sinais de queimadura em plantas situadas nos pontos mais baixos do relevo. Até o momento, porém, não há indicação de impactos expressivos sobre as áreas atingidas.
O quadro fitossanitário também requer atenção, principalmente porque quase metade dos cultivos da regional de Ijuí está em floração. No Rio Grande do Sul, há registros de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela, especialmente em áreas submetidas a condições meteorológicas favoráveis ao desenvolvimento dessas doenças.
Cenário estadual
Na maior parte do Estado, as condições ambientais favoreceram o desenvolvimento do trigo. Os períodos de tempo firme, a maior disponibilidade de radiação solar e a reposição da umidade do solo pelas chuvas também permitiram a realização dos manejos necessários.
O estágio das plantações varia conforme a época de implantação e as condições meteorológicas verificadas ao longo do ciclo. Nas áreas semeadas mais cedo, situadas principalmente no Oeste gaúcho, 44% dos cultivos estão em enchimento de grãos e 5% em maturação.
Já as lavouras implantadas mais tarde concentram-se nas fases iniciais e intermediárias do ciclo. Do total cultivado no Rio Grande do Sul, 12% permanecem em desenvolvimento vegetativo e 39% encontram-se entre o espigamento e a floração.
Assim como na regional de Ijuí, ocorrências de geada e granizo causaram danos pontuais em outras áreas do Estado. A intensidade varia conforme o estágio das plantas e as condições de cada local, e algumas plantações continuam sob avaliação para verificar eventuais efeitos sobre a produtividade.
Para a safra de 2026, a Emater-Ascar projeta o cultivo de 814.220 hectares de trigo no Rio Grande do Sul. A produtividade média está estimada em 2.701 quilos por hectare.
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