O Ministério da Saúde anunciou que os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, poderão ser disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da obesidade. A oferta será definida a partir dos resultados de estudos e da elaboração de um protocolo clínico para determinar como o tratamento será realizado na rede pública.
Uma das iniciativas utilizadas para avaliar essa possibilidade está sendo desenvolvida no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. Desde junho, pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças participam de um estudo que acompanha o uso de semaglutida, um dos medicamentos da classe GLP-1.
O protocolo, chamado Real-Bari, prevê o acompanhamento de cerca de 250 pacientes. Parte dos participantes está na fila para cirurgia bariátrica, e a pesquisa busca avaliar, entre outros aspectos, se o tratamento medicamentoso pode contribuir para controlar a obesidade a ponto de reduzir a necessidade da cirurgia em alguns casos.
A pesquisa também considera outros possíveis efeitos do tratamento, incluindo a redução de problemas cardiovasculares e da reincidência de câncer de mama, conforme os objetivos apresentados pelo Ministério da Saúde.
Os primeiros resultados divulgados pela pasta foram considerados positivos. Segundo o Ministério, o primeiro paciente a receber a semaglutida no estudo estava na fila da cirurgia bariátrica e apresentou perda de seis quilos, além de redução na circunferência corporal e mudanças relatadas nos hábitos de vida.
A estratégia faz parte de um trabalho mais amplo do governo federal para avaliar o uso dos medicamentos GLP-1 no SUS. O Ministério da Saúde também vem estimulando a produção nacional e a ampliação da oferta desses medicamentos, com o objetivo de aumentar a concorrência e reduzir os preços. Atualmente, existem 14 produtos registrados dessa classe no mercado brasileiro, segundo a pasta.
Apesar do anúncio, a disponibilização em larga escala pelo SUS ainda depende da conclusão das avaliações e da definição do protocolo clínico. Em julho, o próprio Ministério informou que as chamadas canetas emagrecedoras ainda não eram oferecidas de forma geral pelo SUS e que os resultados do estudo ajudariam a definir como esse tratamento poderia ser implementado na rede pública.
A proposta, portanto, é avançar de forma gradual, utilizando os resultados da pesquisa para estabelecer critérios de indicação, acompanhamento médico e organização da oferta desses medicamentos na saúde pública.
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