Saúde Saúde
Novo método simplifica diagnóstico da tuberculose em humanos e rebanhos
Tecnologia busca reduzir custos e descentralizar o diagnóstico da tuberculose.
17/09/2026 11h27
Por: Marcelino Antunes Fonte: Correio Do Povo
(Foto : Rubens Neiva / Embrapa / CP)

Uma nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) busca simplificar e reduzir os custos do diagnóstico da tuberculose. O método, chamado RRTB, recebeu carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e pode ser utilizado na análise de amostras de seres humanos, rebanhos e alimentos.

A inovação foi desenvolvida durante o doutorado do pesquisador da Fhemig Ronaldo Rodrigues da Costa, na Faculdade de Medicina da UFJF, com orientação da professora Isabel Cristina Gonçalves Leite e do pesquisador Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite.

O método utiliza um swab para a etapa de descontaminação e o meio de cultura Löwenstein-Jensen, associado a uma solução neutralizadora à base de ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio. Com isso, a técnica dispensa o uso de centrífugas refrigeradas e cabines de segurança biológica exigidas pelo método tradicional de cultivo.

A proposta também amplia as possibilidades de análise. Além de amostras de escarro, o RRTB pode ser aplicado a fluidos corporais estéreis, como líquido pleural, líquido ascítico e líquor.

Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode facilitar a realização dos exames em laboratórios de menor porte, unidades de saúde rurais e regiões com menos recursos. O método também foi avaliado para a tuberculose bovina, causada pela bactéria Mycobacterium bovis, permitindo testes em amostras clínicas de animais e alimentos.

Um estudo-piloto com 77 amostras comparou o RRTB aos métodos tradicionais. Em relação ao método de Petroff, foram registradas sensibilidade de 90,91% e especificidade de 94,34%. Na comparação com o método Ogawa, a sensibilidade foi de 94,74% e a especificidade de 92,45%. A taxa de contaminação do cultivo foi de 1,30%, enquanto os métodos convencionais apresentaram índices de 2,60% e 6,50%.

Posteriormente, a tecnologia foi validada em sete laboratórios de referência de Minas Gerais, com análise de 593 pares de amostras. Os resultados confirmaram equivalência diagnóstica e confiabilidade do RRTB em comparação com o método Ogawa-Kudoh.

A pesquisa também ampliou a aplicação da tecnologia para casos de tuberculose extrapulmonar, tuberculose zoonótica causada por Mycobacterium bovis e detecção da bactéria em amostras de animais e alimentos.

O método alcançou o nível 8 da escala TRL/MRL, correspondente a um sistema validado e incorporado à rotina laboratorial. Atualmente, porém, a tecnologia está restrita a laboratórios de pesquisa e validação e ainda depende de submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF (Critt/UFJF) busca empresas interessadas em licenciar, produzir e distribuir a tecnologia em escala comercial.

 

 

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