Justiça Caso Kiss
STJ suspende julgamento sobre penas dos condenados pela Boate Kiss
Pedido de vista interrompe análise de recurso do MPRS, que busca restabelecer as penas definidas pelo Tribunal do Júri em 2021.
16/09/2026 09h49
Por: Marcelino Antunes Fonte: MPRS
(Foto: Reprodução / MPRS)

A 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu, nesta terça-feira (15), em Brasília, o julgamento dos recursos relacionados às penas dos quatro condenados pelo incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria. A análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Rogerio Schietti Cruz e deverá ser retomada em uma sessão futura.

Antes da suspensão, a relatora do processo, ministra Nilsoni de Freitas, rejeitou os recursos apresentados pelas defesas e votou pelo acolhimento parcial do recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

O Ministério Público busca restabelecer as penas aplicadas pelo Tribunal do Júri em 2021. O recurso foi apresentado após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), em agosto de 2025, manter as condenações e o reconhecimento de dolo eventual, mas reduzir as penas dos quatro réus.

No voto apresentado nesta terça-feira, a relatora propôs o restabelecimento da valoração negativa da culpabilidade para dois dos condenados e o aumento da valoração das consequências do crime para todos os réus. Com esses critérios, as penas seriam redimensionadas para 18 anos de reclusão para dois condenados e 12 anos, quatro meses e 15 dias para os outros dois, todos em regime fechado.

O julgamento, entretanto, ainda não foi concluído. O pedido de vista do ministro Rogerio Schietti Cruz interrompeu a análise, de modo que não há decisão definitiva do STJ sobre as penas neste momento.

Durante a sessão, acompanharam o julgamento pelo MPRS o procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, a procuradora de Justiça Flávia Mallmann, da Procuradoria de Recursos, e a promotora Lúcia Helena Callegari. Representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria também estiveram presentes.

Em sustentação oral, o procurador-geral de Justiça afirmou que o recurso trata da proporcionalidade das penas diante da gravidade dos fatos e defendeu uma resposta penal compatível com a dimensão da tragédia.

O incêndio da Boate Kiss ocorreu em 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria. A tragédia provocou a morte de 242 pessoas e deixou outras 636 feridas.

As condenações foram restabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal em 2024, após a controvérsia sobre a validade do Tribunal do Júri realizado em 2021. Posteriormente, o TJRS analisou questões relacionadas às penas, que foram reduzidas em agosto de 2025. Agora, cabe ao STJ analisar os recursos apresentados contra essa decisão.

 

 

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