A Região Celeiro encerrou o segundo quadrimestre de 2026 com 12 casos confirmados de dengue – cenário muito inferior ao enfrentado em 2024, quando 23.583 pessoas foram infectadas e 30 morreram. Apesar da expressiva redução, o aumento das notificações entre o fim de junho e agosto reforça a necessidade de manter as ações preventivas, especialmente com a proximidade dos meses mais quentes.
O número acumulado de notificações passou de 124, ao término do primeiro semestre, para 137 ao final dos dois primeiros quadrimestres. O acréscimo foi de 13 ocorrências – equivalente a 10,5%. No mesmo intervalo, as confirmações subiram de 11 para 12 – indicando que o crescimento dos registros suspeitos não resultou em elevação proporcional dos diagnósticos positivos.
O novo caso confirmado foi contabilizado em Tiradentes do Sul, que passou de três para cinco notificações e chegou ao primeiro diagnóstico positivo do ano. O Município também teve quatro ocorrências descartadas.
Crissiumal apresentou o maior aumento nas notificações, de 28 para 32, seguido por Santo Augusto, de 21 para 24. Inhacorá, que não possuía registros no primeiro semestre, passou a contabilizar duas suspeitas. Campo Novo, Coronel Bicaco e Três Passos acrescentaram uma ocorrência cada.
Os casos descartados avançaram de 108 para 119. Crissiumal registrou a maior variação, passando de 24 para 30 resultados negativos, enquanto Santo Augusto subiu de 20 para 23. A atualização também apresentou três casos em investigação – localizados em Coronel Bicaco, Crissiumal e Inhacorá.
A quantidade de casos autóctones – quando a transmissão ocorre no próprio Município – permaneceu em oito. Também não houve registro de mortes pela doença em 2026. Coronel Bicaco continuou concentrando a maior quantidade de confirmações, com cinco diagnósticos positivos, dos quais quatro autóctones. Braga, Chiapetta, Crissiumal, Redentora, Santo Augusto, Tenente Portela e Tiradentes do Sul apresentaram um infectado cada. Derrubadas, Esperança do Sul, Humaitá, São Valério do Sul e Vista Gaúcha não têm números computados no painel mantido pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-RS).
Os dados de Bom Progresso foram revisados – com diminuição de duas para uma notificação. A alteração demonstra que os indicadores podem sofrer ajustes conforme a atualização dos sistemas e a conclusão das investigações epidemiológicas.
Queda expressiva após 2024
Os números atuais apontam um cenário de controle da dengue após os elevados índices registrados nos últimos anos. Entre 2015 e 2025, os 21 municípios da Região Celeiro somaram 25.610 confirmações e 30 mortes, conforme levantamento elaborado com base em dados da SES-RS.
O avanço da enfermidade ganhou força em 2019, com 152 diagnósticos positivos, e aumentou para 832 em 2020. Em 2021, houve queda acentuada, com 36 ocorrências. Durante esses três anos, não foram registrados óbitos relacionados à doença.
A curva voltou a crescer em 2022, quando foram confirmados 319 casos, e avançou para 481 em 2023. Diante da elevação dos indicadores, os governos municipais, estadual e federal intensificaram as ações de prevenção, conscientização e combate ao Aedes aegypti.
O maior surto da história regional ocorreu em 2024, com 23.583 infectados e 30 mortes. A epidemia colocou os serviços de saúde sob forte pressão, elevando a procura por consultas e as internações decorrentes de complicações. O enfrentamento exigiu a mobilização das equipes públicas e a participação da comunidade na eliminação dos criadouros do mosquito.
A redução para 12 casos confirmados nos dois primeiros quadrimestres de 2026 evidencia uma mudança significativa em relação ao recorde de 2024. A manutenção de diagnósticos positivos e de ocorrências em investigação, entretanto, demonstra que o vírus ainda circula e impede a interrupção dos cuidados.
Calor aumenta necessidade de prevenção
O inverno termina no dia 22 de setembro, com o início da primavera. Embora as baixas temperaturas reduzam a atividade e dificultem a proliferação do Aedes aegypti, elas não eliminam o risco. Os ovos podem permanecer viáveis por meses e voltar a se desenvolver quando encontram calor e água acumulada.
Com a chegada das temperaturas mais elevadas e dos períodos de maior ocorrência de chuvas, as condições tornam-se favoráveis à reprodução do vetor. Por isso, a orientação é reservar alguns minutos por semana para vistoriar residências, estabelecimentos, terrenos e áreas externas, principalmente após episódios de chuva.
As principais medidas incluem eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d’água e tonéis bem fechados, limpar calhas e ralos, tratar piscinas e descartar corretamente pneus, garrafas e embalagens. Também é necessário colocar areia nos pratos de vasos, recolher objetos dos pátios e manter cobertos aqueles que não puderem ser descartados.
Sinais de alerta
Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, desconforto muscular e nas articulações, fadiga, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele.
Sangramentos, dor abdominal intensa e persistente, vômitos contínuos e sensação de fraqueza podem indicar agravamento do quadro e exigem atendimento médico imediato. Ao apresentar sinais da doença, a orientação é procurar uma unidade de saúde, manter boa hidratação e evitar a automedicação, sobretudo com remédios que contenham ácido acetilsalicílico ou anti-inflamatórios.
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