Agricultura Retração
Região Celeiro reduz em 22,56% a área semeada com trigo em 2026
Dos 21 municípios, 19 diminuíram as lavouras com trigo entre 2025 e 2026
07/09/2026 12h23 Atualizada há 2 horas
Por: Editoria Local Fonte: Redação | Sistema Província de Comunicação
Levantamento da Emater-Ascar aponta que o cereal ocupa 82,5 mil hectares em 2026, contra 106.538 hectares no ano passado (Foto: Diones Roberto Becker)

O trigo tem menos espaço nas propriedades rurais da Região Celeiro nesta safra. A retração ocorre de forma generalizada entre os municípios e evidencia uma mudança no planejamento das culturas de inverno, com produtores direcionando parte das áreas para outras alternativas.

Levantamento da Emater-Ascar aponta que o cereal ocupa 82,5 mil hectares em 2026, contra 106.538 hectares no ano passado – redução de 22,56%. Em 2024, eram 107.250 hectares, o que significa que, em dois anos, cerca de 24.750 hectares deixaram de ser destinados ao grão – queda acumulada de 23,1%.

Segundo o extensionista rural da Emater-Ascar de Tenente Portela, Luciano Juris, os custos de produção estão entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário. — A possibilidade de obter maior margem de renda com outras atividades tem influenciado as decisões dos produtores — salienta. Além disso, ele destaca que o trigo é considerado uma cultura de alto risco, especialmente pela exposição às condições climáticas.

O seguro rural também pesa nesse planejamento. Conforme Luciano Juris, as taxas elevadas e as limitações de acesso à cobertura, associadas aos riscos da atividade, podem tornar o cultivo menos atrativo. Na avaliação da Emater-Ascar, não há um único motivo para a retração, mas uma combinação de custos, preços, crédito, seguro e condições climáticas.

Os dados municipais mostram que a redução é disseminada pela Região Celeiro. Dos 21 municípios, 19 diminuíram a área de trigo entre 2025 e 2026, enquanto São Valério do Sul e Tiradentes do Sul mantiveram os mesmos números. Nenhum apresenta crescimento no período.

Proporcionalmente, Miraguaí registra a maior retração, de 50,77%, passando de 2.438 para 1.200 hectares. Em Chiapetta, o total caiu de nove mil para cinco mil hectares – redução de 44,44%. Campo Novo aparece na sequência, com recuo de 35,48%, de 6,2 mil para quatro mil hectares. Bom Progresso, Coronel Bicaco e Derrubadas apresentam diminuição de 33,33%.

Santo Augusto permanece com a maior área destinada ao cereal em 2026, com 12 mil hectares. Coronel Bicaco aparece com dez mil, seguido por São Martinho, com sete mil. Tenente Portela e Redentora tinham previsão de seis mil hectares cada.

Parte das lavouras retiradas do trigo está sendo direcionada para outras atividades. De acordo com Luciano Juris, canola, aveia-branca e criação de gado de corte estão entre as alternativas adotadas. Há ainda produtores que utilizam o inverno para implantação de cobertura de solo – preparando as propriedades para o posterior plantio de milho.

Para a economia regional, a análise é de que a redução dos trigais pode ser parcialmente compensada pela adoção dessas outras culturas e atividades. Por outro lado, a menor oferta local do cereal tende a aumentar a disputa das empresas pelo produto disponível e pode ampliar a necessidade de buscar grãos em diferentes regiões.

A Emater-Ascar avalia que o atual cenário não significa necessariamente uma redução permanente do cultivo. Luciano Juris diz que o mercado exerce papel determinante na definição da área, assim como condições desfavoráveis provocam retração. — Uma conjuntura mais atrativa pode estimular novamente o plantio nas próximas safras — acrescenta.

Pouca luminosidade compromete crescimento

Na regional da Emater-Ascar de Ijuí, a baixa luminosidade afetou o crescimento do trigo. As plantas apresentam coloração pálida, amarelecimento na parte inferior, maior estatura, caules finos e folhas estreitas. Também há ocorrência de oídio, principalmente nas áreas com maior disponibilidade de nitrogênio.

O atraso nas operações fitossanitárias levou os produtores a concentrarem os tratamentos nos períodos de maior insolação. Geadas de média intensidade também foram registradas, mas ainda não é possível avaliar os possíveis prejuízos às plantações.

Lavouras seguem satisfatórias no RS

No Rio Grande do Sul, a cultura apresenta condições gerais satisfatórias, embora as chuvas frequentes e a baixa luminosidade tenham limitado o crescimento das plantas e dificultado as atividades de manejo. Atualmente, 61% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração, 10% em enchimento de grãos e 1% em maturação.

Nas plantações em floração, a combinação de umidade elevada, nebulosidade e precipitações aumentou o risco de giberela. Também foram identificados sintomas de doenças foliares e oídio, especialmente nos cultivos com maior oferta de nitrogênio. O solo encharcado restringiu a entrada de máquinas e atrasou a aplicação de fertilizantes e produtos fitossanitários.

Geadas de intensidades variadas atingiram as regiões produtoras, mas seus possíveis efeitos ainda não foram dimensionados. Até o momento, o potencial produtivo permanece sem perdas confirmadas.

Para a safra de 2026, a Emater-Ascar projeta o cultivo de 814.220 hectares de trigo no Estado, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare.

 

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