Agricultura Estimativa
Safra de verão deve alcançar 35,64 milhões de toneladas no RS
Avanço da produção é esperado mesmo diante de uma pequena redução na área cultivada
05/09/2026 15h07
Por: Editoria Local Fonte: Emater-Ascar
Principal cultivo agrícola do Estado, a soja deverá atingir 21,15 milhões de toneladas (Foto: Diones Roberto Becker)

A safra de verão 2026/2027 deverá alcançar 35,64 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul – crescimento de 8,64% em relação ao ciclo anterior. A estimativa faz parte do levantamento inicial elaborado pela Gerência de Planejamento da Emater-Ascar, por meio do Núcleo de Informação, Inovação e Análise.

O avanço da produção é esperado mesmo diante de uma pequena redução na área cultivada. Conforme a projeção, as principais culturas devem ocupar, juntas, 8,43 milhões de hectares – recuo de 0,37%. O cenário indica uma possível recuperação da produtividade, especialmente nas lavouras de soja.

Principal cultivo agrícola do Estado, a oleaginosa deverá atingir 21,15 milhões de toneladas – volume 15,32% superior ao registrado na temporada anterior. A previsão considera uma retração de 0,92% na área destinada ao grão.

Para o milho, a Emater-Ascar estima expansão de 7,42% na superfície cultivada – que deverá chegar a 896,4 mil hectares. A produção projetada é de 6,91 milhões de toneladas.

Os dados foram coletados entre 10 e 24 de agosto e abrangem praticamente todo o território gaúcho. A intenção de plantio da soja foi verificada em 436 municípios – alcançando cobertura de 99,98%. No caso do milho, o levantamento contemplou 489 cidades, o equivalente a 99,99%. Já o milho para silagem foi pesquisado em 485 localidades, enquanto o feijão da primeira safra teve informações apuradas em 368 municípios.

Apesar da expectativa de maior produção, o ambiente econômico permanece desafiador. As cotações da soja, do milho e do feijão, embora apresentem movimentos distintos de recuperação, continuam abaixo das médias históricas. Dessa forma, as decisões dos agricultores não estão sendo impulsionadas por uma valorização generalizada das commodities.

Além dos preços, fatores como o risco climático, as restrições de crédito e o endividamento dos produtores influenciam a definição das áreas e culturas da próxima temporada. O levantamento reflete justamente esse período de planejamento, no qual são avaliadas as condições econômicas e produtivas antes do início da semeadura.

A possível atuação do fenômeno El Niño poderá aumentar a disponibilidade de água ao longo do ciclo e favorecer a recuperação dos rendimentos. Em contrapartida, chuvas excessivas podem atrasar a implantação das lavouras, elevar a incidência de doenças e dificultar as operações mecanizadas. O cenário exigirá acompanhamento das condições meteorológicas e planejamento por parte dos produtores.

 

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