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Revelado o segredo logístico do Mercado Livre no e-commerce
A logística deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a determinar margem, fidelização e competitividade. Mesmo assim, muitas empresas ainda gerenciam seus envios com informações fragmentadas e pouca capacidade analítica.
21/08/2026 09h40
Por: Radar Nacional Fonte: Agência Dino

Operar um e-commerce de alto volume sem visibilidade sobre a própria logística significa administrar uma das áreas mais estratégicas do negócio sem informações suficientes para decisões consistentes.

Embora o varejo digital brasileiro esteja cada vez mais orientado por indicadores de marketing, vendas e comportamento do consumidor, a logística ainda é conduzida, em muitas empresas, com base no histórico e na percepção e não em dados estruturados e analisados de forma integrada. O impacto costuma ser silencioso: em vez de um único erro, o que ocorre é o acúmulo de pequenas decisões tomadas com baixa previsibilidade, contratos negociados sem informações precisas e oportunidades de otimização não identificadas.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce brasileiro movimentou cerca de R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. À medida que o setor ganha escala, a eficiência logística passa a ser determinante para preservar margens, competitividade e a experiência do consumidor.

O custo invisível da falta de dados

Na maioria das operações de médio e grande porte, informações logísticas não faltam. O desafio está na forma como são armazenadas e utilizadas, geralmente distribuídas entre plataformas de transportadoras, sistemas de gestão de pedidos, ERPs, marketplaces, planilhas internas e ferramentas de rastreamento, o que dificulta uma visão integrada.

Sem conseguir relacionar indicadores como custo médio por rota, prazo de entrega, índice de ocorrências por transportadora ou desempenho regional, muitos gestores tomam decisões baseadas na percepção do dia a dia, e não em evidências concretas. Isso também afeta a negociação com transportadoras: sem conhecer o perfil dos envios e particularidades como sazonalidade, volume por região e peso médio, contratos acabam firmados com base em estimativas, o que reduz a efetividade. A expectativa do consumidor também aumenta: pesquisa do Opinion Box em 2025 aponta que 72% dos brasileiros afirmam que a experiência de entrega influencia diretamente a decisão de voltar a comprar em uma loja virtual, tornando a logística um diferencial de fidelização.

O desafio não é gerar dados, mas conectá-los

Ao contrário do que muitas empresas imaginam, o problema não está na ausência de informações, mas na dificuldade de consolidá-las. O desafio está em reunir os dados produzidos diariamente pela operação, cruzá-los e transformá-los em inteligência para apoiar decisões estratégicas.

Esse movimento tem impulsionado a adoção de plataformas especializadas em gestão logística, capazes de integrar diferentes transportadoras e sistemas em um ambiente único de análise, tornando possível comparar indicadores em tempo real, acompanhar desvios de SLA e identificar reduções de custo.

A SmartEnvios está entre as empresas que atuam nesse segmento, com uma plataforma voltada à centralização da operação logística e à consolidação de dados em tempo real, permitindo que gestores utilizem informações confiáveis nas decisões.

Reproduzir essa estrutura analítica internamente costuma exigir investimento elevado em tecnologia e equipe dedicada, algo que nem toda operação consegue sustentar. Plataformas como a SmartEnvios consolidam dados sobre rotas, transportadoras e regiões de entrega, sem que a empresa precise manter uma estrutura própria de inteligência logística. Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os custos logísticos representam, em média, 12% da receita das empresas varejistas brasileiras, o que reforça a importância de decisões fundamentadas em dados.

Automatizar processos não significa gerar inteligência

A digitalização da logística avançou de forma significativa nos últimos anos. Grande parte das empresas já utiliza algum sistema de gestão de transporte para automatizar emissão de etiquetas, rastreamento de pedidos e administração de contratos, um avanço importante para a eficiência operacional. No entanto, automatizar tarefas não significa, necessariamente, desenvolver inteligência logística.

Enquanto sistemas transacionais registram eventos e executam processos, plataformas com foco analítico permitem compreender por que determinados resultados ocorreram, comparar desempenhos entre transportadoras e antecipar riscos operacionais, algo relevante em operações de maior escala, nas quais renegociação de contratos e revisão de níveis de serviço dependem de indicadores consistentes.

Segundo Rafael Mazzaron, CEO da SmartEnvios, esse ainda é um dos principais desafios enfrentados pelas empresas do setor.

"A maioria dos gestores percebe que a logística pode ser mais eficiente, mas essa percepção, por si só, não é suficiente. Sem dados confiáveis para mostrar onde estão os gargalos, fica muito mais difícil tomar decisões, negociar melhores condições com as transportadoras e justificar mudanças que realmente tragam resultados para a operação."

Inteligência logística como diferencial competitivo

Especialistas apontam que o próximo estágio da transformação logística será marcado pela capacidade analítica das operações. O primeiro passo consiste em identificar onde os dados estão armazenados e integrá-los em uma única visão, acompanhando indicadores como custo médio por envio, prazo efetivo por rota, índice de ocorrências por transportadora e taxa de reentregas. Em seguida, é preciso avaliar se as ferramentas utilizadas produzem essas informações de forma automatizada e contínua ou se a empresa ainda depende de processos manuais e planilhas.

Nesse contexto, plataformas especializadas combinam integração operacional, análise de desempenho e monitoramento em tempo real, permitindo que a logística deixe de atuar de forma reativa e passe a apoiar decisões estratégicas.

À medida que o comércio eletrônico se torna mais competitivo, tomar decisões sem o apoio de dados confiáveis gera custos cada vez maiores. Os impactos não se limitam à eficiência logística: afetam também a experiência do cliente, a competitividade da empresa e sua capacidade de crescer de forma sustentável.