Há exatamente 61 anos, em 20 de agosto de 1965, o Rio Grande do Sul enfrentava um dos episódios de neve mais intensos e abrangentes já registrados no Estado. O fenômeno atingiu principalmente áreas da Serra, Norte e Noroeste, avançando por uma extensão incomum para a ocorrência de neve.
A sexta-feira daquele 20 de agosto foi o momento mais marcante para o Noroeste. Em Crissiumal, a neve começou por volta do meio-dia e avançou pelas horas seguintes. O episódio também atingiu Três Passos, Santa Rosa, Alegria, Ijuí, Três de Maio e outros municípios da região. Em alguns locais, a precipitação prosseguiu durante a noite e avançou pelo dia seguinte.
(Fotos: Divulgação Redes Sociais)
A área atingida foi muito extensa. No Rio Grande do Sul, há registros em Santa Rosa, Alegria, Ijuí, Crissiumal, Três Passos, Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga, Palmeira das Missões, Cruz Alta, Passo Fundo, Erechim, Marcelino Ramos, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Lagoa Vermelha e Vacaria, entre outras localidades. A neve chegou ainda a pontos onde o fenômeno era extremamente raro, como Tupanciretã e Cruz Alta.
Passo Fundo. (Foto: Divulgação redes Sociais).
A quantidade acumulada impressionou. Há registros históricos de mais de 50 centímetros em determinados pontos do Noroeste. Em Crissiumal, registros locais apontam camadas superiores a um metro em alguns lugares. Em Três de Maio e região, relatos históricos também mencionam espessuras superiores a um metro.
Em alguns locais, a neve permaneceu por mais de 24 horas. O peso acumulado obrigou moradores a retirar a neve dos telhados para evitar desabamentos.
O fenômeno não ficou apenas na paisagem. O peso da neve provocou desabamentos de telhados de casas e galpões, além do rompimento de fios de energia elétrica e telefone e de canos de água em Crissiumal.
Em outras regiões, os prejuízos também foram expressivos. Em Passo Fundo, o gelo acumulado abalou estruturas de quatro edifícios. 150 casas foram danificadas em Palmeira das Missões, Lagoa Vermelha e Bom Jesus. Em Ciríaco, o desabamento de uma residência matou um homem que estava acamado.
Passo Fundo. (Foto Divulgação)
A atividade rural sofreu com as condições extremas. Jornais da época registraram prejuízos na agricultura e na pecuária, enquanto relatos históricos apontam morte de animais por causa do frio e da neve. Em Passo Fundo, um criador relatou a morte de 300 bovinos. Em Crissiumal, registros históricos também mencionam a morte de gado e animais silvestres.
A nevasca fez parte de uma sequência ainda maior de eventos extremos. Naqueles dias, o Estado também enfrentava chuvas intensas e enchentes, com estradas interrompidas e pontes destruídas. A chegada de uma forte massa de ar polar, combinada à instabilidade atmosférica, criou as condições para a intensa precipitação de neve.
O episódio de 1965, portanto, não foi apenas uma paisagem incomum coberta de branco. Foi um fenômeno meteorológico de grandes proporções, que atingiu uma extensa área do Rio Grande do Sul, alterou a rotina de milhares de pessoas e deixou marcas na memória de gerações.
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