Agricultura Cultura de inverno
Excesso de umidade reduz avanço do plantio de trigo no Noroeste do RS
Região registrou os maiores volumes de chuva nas últimas semanas
01/08/2026 17h23
Por: Editoria Local Fonte: Redação | Sistema Província de Comunicação
Desenvolvimento das plantas é considerado satisfatório e, até o momento, os impactos provocados pelas precipitações são pontuais (Foto: Diones Roberto Becker)

O excesso de umidade no solo continua sendo o principal fator a limitar o avanço do cultivo de trigo no Rio Grande do Sul. Na Região Noroeste, onde foram registrados os maiores volumes de chuva nas últimas semanas, a elevada umidade dificultou a realização de operações nas lavouras e retardou a semeadura em parte das áreas. Apesar disso, o desenvolvimento das plantas é considerado satisfatório e, até o momento, os impactos provocados pelas precipitações são pontuais.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater-Ascar, a previsão é de cultivo de 814.220 hectares com trigo no Estado. Atualmente, 98% das áreas encontram-se em desenvolvimento vegetativo e os 2% restantes já ingressaram na fase de floração.

A primeira metade da semana foi marcada por condições climáticas típicas de anos influenciados pelo fenômeno El Niño, com alta umidade, nebulosidade persistente, baixa luminosidade e temperaturas elevadas. Na segunda metade do período, as chuvas diminuíram gradualmente, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina, elevada umidade relativa do ar e apenas curtos intervalos de sol.

Na Região Noroeste, os maiores acumulados de chuva mantiveram o solo encharcado e dificultaram a entrada de máquinas nas lavouras. Em algumas áreas, o excesso de água provocou processos erosivos, especialmente em locais com maior concentração do escoamento superficial.

Na região administrativa da Emater-Ascar de Ijuí, responsável por aproximadamente 28% da área cultivada com trigo no Estado, a baixa luminosidade registrada entre os dias 20 e 26 de julho reduziu o ritmo de crescimento das plantas. Mesmo assim, as lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo, com plantas mais alongadas, folhas estreitas e coloração verde-clara, sem indícios de estresse causado pela falta de luz ou por deficiência nutricional.

Cerca de 10% das áreas já se encontram nos estágios de emborrachamento e emissão das espigas – etapa que antecede a floração. As demais permanecem em desenvolvimento vegetativo, mantendo potencial produtivo considerado satisfatório.

As chuvas frequentes também impediram a execução de importantes práticas de manejo, como a adubação em cobertura e o controle de plantas daninhas, devido à impossibilidade de circulação de máquinas nas lavouras. Em alguns pontos, a força da água provocou o arraste de parte da palhada remanescente, reduzindo a cobertura do solo, além de causar acamamento e amassamento de plantas em talvegues e áreas de maior concentração do escoamento.

Apesar desses registros, a assistência técnica da Emater-Ascar avalia que os danos permanecem localizados e não comprometem, até o momento, o desenvolvimento geral das lavouras de trigo na Região Noroeste.

 

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