Agricultura Agro
Alívio no custo de produção é passageiro, aponta Farsul
Custos de produção caíram 1,24% em junho com a queda do petróleo, mas efeito já começou a reverter em julho
27/07/2026 11h21
Por: Andre Eberhardt Fonte: LA+
(Foto: Divulgação CP)

O custo de produção do agro gaúcho recuou 1,24% em junho, segundo o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), calculado mensalmente pela Assessoria Econômica da Farsul. A queda foi puxada pelo recuo do petróleo após o anúncio de cessar-fogo no Oriente Médio e pela retomada das exportações chinesas de ureia, dois movimentos que aliviaram os gastos dos produtores com combustíveis e fertilizantes, insumos que respondem por parte relevante do custeio da lavoura.

O alívio, porém, tende a ser passageiro. Segundo a Farsul, o fim do cessar-fogo já fez o petróleo voltar a subir em julho, o que deve pressionar novamente o indicador nos próximos meses. Mesmo com o resultado positivo de junho, o IICP acumula alta de 4,63% no ano e de 1,50% em 12 meses, sinal de que a queda mensal não foi suficiente para reverter as pressões acumuladas desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.

Do outro lado da porteira, o cenário é oposto. O Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR), também apurado pela Farsul, teve alta de apenas 0,19% em junho, puxada principalmente pelo preço do trigo que reflete o movimento sazonal típico da entressafra, quando as comercializações do cereal se reduzem em meio à expectativa de queda na produção seguinte.

A alta pontual de junho não muda o quadro do ano em que o IIPR acumula retração de 3,86% desde janeiro e de 5,79% em 12 meses. Com exceção do boi gordo, todos os produtos que compõem a cesta do indicador registraram queda na comparação anual. Os recuos mais expressivos ocorreram no arroz e nos suínos, ambos pressionados pela ampla oferta disponível no mercado.

O contraste entre os dois indicadores se torna mais evidente quando comparado à inflação sentida pelo consumidor. Enquanto o IIPR acumula perda de 5,79% em 12 meses, o IPCA Alimentos e Bebidas, medido pelo IBGE, segue pressionado, com alta acumulada de 3,82% no mesmo período, bem acima da variação de 1,50% do IICP. Para a Farsul, o descompasso mostra que a inflação de alimentos no supermercado não decorre de reajustes no campo, mas de fatores concentrados nas demais etapas da cadeia produtiva, como indústria, logística e varejo, além da dinâmica macroeconômica mais ampla.

O retrato de junho resume o aperto enfrentado pelo produtor gaúcho onde de um lado, custos que ainda pesam mais do que há um ano e ficam à mercê de sobressaltos geopolíticos, como o conflito no Oriente Médio; de outro, preços recebidos que seguem em patamar inferior ao do ano passado, em meio à oferta abundante de itens como arroz e suínos. Os dados do levantamento estão disponíveis na plataforma Farsul Big Data.

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