A safra 2025/2026 de soja confirmou uma expressiva frustração na Região Celeiro. A diferença entre a produtividade projetada no começo do ciclo e os resultados obtidos na colheita evidencia o impacto negativo das condições climáticas sobre a principal cultura agrícola regional. Dos 21 municípios, 19 registraram perdas. Apenas São Martinho e Vista Gaúcha alcançaram rendimento igual ou superior ao inicialmente estimado. Os dados são do Escritório Regional da Emater-Ascar de Ijuí.
As maiores reduções ocorreram em Inhacorá e Tiradentes do Sul, onde a produtividade ficou 40% abaixo da previsão inicial. Em Coronel Bicaco, Município que concentra a maior área cultivada com soja na Região Celeiro, com 34 mil hectares, a quebra foi de 30%. Já em Tenente Portela, a estimativa de 3.219 quilos por hectare caiu para 2.700 quilos por hectare – o que representa redução de 16,12%.
De acordo com o engenheiro agrônomo Diego Rebelatto, da Emater-Ascar de Coronel Bicaco, a estiagem registrada no fim de 2025 e durante o primeiro trimestre de 2026 comprometeu o desenvolvimento das lavouras. Segundo ele, a escassez de chuvas entre 20 de janeiro e 9 de março foi decisiva para a queda na produtividade.
— A cultura estava nas fases de floração e de enchimento de grãos. É quando a planta mais precisa de água, de um desenvolvimento normal. São fases que influenciam diretamente na produtividade e na qualidade do grão — destacou o engenheiro agrônomo.
Conforme a Emater-Ascar, os produtores dos 21 municípios cultivaram 243.550 hectares de soja na safra 2025/2026. A maior parte da produção é destinada à exportação, principalmente para países asiáticos. O restante abastece indústrias responsáveis pela fabricação de óleo de soja, biodiesel e farelo – insumo amplamente utilizado na alimentação animal.
A frustração na safra da oleaginosa preocupa muito além das entradas das propriedades rurais. Nos municípios da Região Celeiro, onde o agronegócio é um dos principais motores da economia, uma quebra na produção reduz a circulação de recursos, afeta empresas, compromete investimentos e provoca reflexos em praticamente todos os setores.
Os primeiros impactos recaem sobre os agricultores. Com menor produtividade, muitos produtores enfrentam dificuldades para cobrir os custos de produção, cumprir financiamentos e manter o planejamento das propriedades. Em consequência, investimentos na aquisição de máquinas, implementos, tecnologias e ampliação das atividades acabam sendo adiados, comprometendo a capacidade de crescimento das lavouras nas próximas safras.
O efeito é sentido rapidamente pelas cooperativas agropecuárias e de crédito, cerealistas e empresas que atuam na cadeia da soja. A redução do volume colhido diminui a movimentação nas unidades de recebimento, armazenagem e comercialização de grãos, reduz o transporte de cargas e interfere diretamente no faturamento de diversos segmentos ligados ao agronegócio.
O comércio regional também sofre as consequências. Revendas de insumos, concessionárias de máquinas agrícolas, oficinas mecânicas, lojas de peças, postos de combustíveis, transportadoras e prestadores de serviços registram queda na demanda à medida que os produtores reduzem despesas para preservar o equilíbrio financeiro das propriedades. O reflexo alcança ainda supermercados, restaurantes, hotéis e o comércio varejista, que passam a conviver com menor circulação de dinheiro.
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