A violência contra a mulher registrou aumento na Região Celeiro durante os seis primeiros meses de 2026. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) mostram que, entre janeiro e junho, foram contabilizadas 431 ocorrências, frente às 348 registradas no mesmo período do ano passado. O crescimento foi de 23,8%.
Apesar da alta na comparação anual, os indicadores apontam uma redução gradual ao longo dos últimos meses do semestre. Depois de um início de ano com maior volume de registros, abril, maio e junho apresentaram queda nas ocorrências. Junho, inclusive, foi o mês com o menor número de casos em 2026, totalizando 48 registros.
As ameaças seguem como o crime mais frequente, concentrando 270 ocorrências, o equivalente a mais de 62% dos casos registrados na região. Também foram contabilizados 146 casos de lesão corporal, 14 estupros e um caso de tentativa de feminicídio.
Especialistas avaliam que o aumento das notificações de ameaça pode estar relacionado ao fortalecimento das campanhas de conscientização e ao incentivo para que as vítimas procurem os órgãos de proteção. A denúncia nas primeiras manifestações de violência é considerada fundamental para evitar que os casos evoluam para agressões mais graves.
Ao analisar a taxa de ocorrências por mil mulheres, onze municípios ficaram acima da média regional, que foi de 6,15 casos por mil mulheres. Bom Progresso lidera esse levantamento, seguido por Miraguaí, Campo Novo, Sede Nova, Coronel Bicaco, Braga, Redentora, Santo Augusto, Derrubadas, Tenente Portela e Crissiumal.
Já em números absolutos, Três Passos aparece na primeira colocação, com 73 ocorrências registradas no semestre, sendo 50 relacionadas ao crime de ameaça. Tenente Portela ocupa a segunda posição, com 49 registros, dos quais 27 são de ameaças.
Nos municípios de São Valério do Sul e Vista Gaúcha foram registradas apenas duas ocorrências cada, os menores índices da Região Celeiro no período.
Devido às características demográficas dos municípios da região, a SSP-RS utiliza como referência a taxa de ocorrências por mil mulheres, metodologia que permite uma comparação mais equilibrada entre cidades com populações femininas de diferentes tamanhos.
Embora o aumento dos registros represente um avanço das ocorrências em relação ao ano anterior, especialistas ressaltam que ele também pode indicar maior confiança das vítimas em denunciar. As autoridades reforçam que a denúncia continua sendo uma das principais ferramentas para interromper o ciclo da violência e garantir proteção às mulheres.
(Tabelas: Observador Regional)