Os Correios decidiram interromper temporariamente o processo de encerramento de unidades de atendimento em todo o país durante as negociações com os sindicatos que representam os empregados da estatal. A decisão ocorre no contexto do plano de reestruturação financeira colocado em prática desde o ano passado e permanecerá válida até que haja avanço nas tratativas entre a empresa e as entidades sindicais.
Mesmo com a suspensão do fechamento das agências, outras iniciativas previstas para reduzir despesas continuam sendo executadas, entre elas a comercialização de imóveis pertencentes à empresa. Segundo os Correios, a pausa tem caráter provisório e permitirá que os representantes dos trabalhadores apresentem sugestões e questionamentos sobre as medidas previstas.
A possibilidade de paralisação nacional foi levantada por sindicatos na última semana, em razão da insatisfação com as mudanças propostas pela direção da estatal. Diante do cenário, a empresa encaminhou uma proposta para iniciar oficialmente as negociações com os representantes dos funcionários.
O encerramento de aproximadamente mil agências é considerado um dos principais pilares da estratégia de recuperação financeira dos Correios. Até o momento, 256 unidades foram desativadas. Caso o plano seja concluído integralmente, a expectativa é gerar uma economia estimada em R$ 2,1 bilhões.
Outro assunto que deverá integrar as negociações é a implantação de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). A iniciativa será destinada exclusivamente aos empregados das unidades que poderão ser fechadas, alcançando cerca de sete mil trabalhadores.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, o novo PDV poderá representar quase metade da economia prevista no plano de reestruturação. Na primeira etapa do programa realizada neste ano, pouco mais de três mil funcionários aderiram voluntariamente, número inferior ao esperado pela empresa.
O cenário financeiro da estatal continua desafiador. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões, resultado superior às perdas contabilizadas no mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 1,725 bilhão. Conforme o balanço financeiro, o desempenho negativo é atribuído à redução contínua das receitas dos serviços postais tradicionais e ao aumento da concorrência, principalmente no setor de logística voltado ao comércio eletrônico.
Apesar das dificuldades financeiras, a estatal recebeu uma notícia positiva nesta semana. O Banco do Brasil firmou um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, tanto no Brasil quanto no exterior, pelos próximos cinco anos. A instituição financeira informou que a contratação seguiu todas as etapas técnicas, jurídicas e administrativas exigidas para a formalização do acordo.
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