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NOAA eleva para 81% a probabilidade de um Super El Niño até o fim de 2026e de um Super El Niño até o fim de 2026
Nova projeção aponta maior risco de um fenômeno de grande intensidade, com potencial para ampliar o volume de chuvas e aumentar as chances de enchentes no Rio Grande do Sul.
10/07/2026 09h25 Atualizada há 2 horas
Por: Marcelino Antunes Fonte: GZH
(Foto: Defesa Civil )

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgou uma nova atualização climática nesta quinta-feira (9), indicando um aumento expressivo na probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade muito elevada nos últimos meses de 2026. A previsão acende um sinal de atenção, principalmente para o Sul do Brasil, onde o fenômeno costuma favorecer episódios de chuva acima da média.

Segundo o relatório, existe agora uma chance de 81% de que a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial ultrapasse em pelo menos 2°C a média histórica, cenário conhecido como Super El Niño. Na estimativa anterior, essa probabilidade era de 63%, demonstrando uma piora significativa nas perspectivas para o restante do ano.

O boletim da NOAA destaca que, caso essa projeção se confirme, o episódio poderá figurar entre os mais intensos registrados desde o início da série histórica, em 1950. Embora eventos dessa magnitude não provoquem exatamente os mesmos efeitos em todas as regiões, eles aumentam de forma considerável a possibilidade de ocorrência de impactos climáticos característicos, como temporais, enchentes e deslizamentos de terra.

Outro fator que preocupa os especialistas é a expectativa de longa duração do fenômeno. Conforme a NOAA, há 97% de probabilidade de que o El Niño permaneça ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, período correspondente ao outono no Hemisfério Sul.

Para o hidrólogo Fernando Fan, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a permanência prolongada do fenômeno representa um dos aspectos mais preocupantes da nova previsão. Segundo ele, quanto maior o tempo de atuação do El Niño, mais prolongado será o período de risco elevado para eventos extremos no Estado.

Estudos desenvolvidos pelo IPH apontam que, durante anos de El Niño, a probabilidade de grandes cheias no Rio Grande do Sul pode dobrar. Isso significa que enchentes consideradas raras passam a ter uma frequência significativamente maior, aumentando a necessidade de monitoramento constante.

Diante do novo cenário, especialistas reforçam a importância de que órgãos públicos e o setor privado mantenham ações preventivas, como atualização dos planos de contingência, intensificação do monitoramento meteorológico, emissão de alertas antecipados e continuidade das obras de contenção contra enchentes.

Atualmente, a região do Pacífico utilizada como referência para acompanhar o fenômeno já apresenta temperatura 1,2°C acima da média, caracterizando um El Niño de intensidade moderada. Além disso, medições indicam que as águas abaixo da superfície continuam aquecendo, condição que costuma impulsionar ainda mais o fortalecimento do fenômeno nos próximos meses.

Classificação do El Niño:

 * Fraco: aquecimento entre 0,5°C e 0,9°C;

 * Moderado: de 1,0°C a 1,4°C;

 * Forte: de 1,5°C a 1,9°C;

 * Muito forte (Super El Niño): 2,0°C ou mais acima da média histórica.

 

 

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