Sociedade Sociedade
Emagrecimento sustentável depende de estratégia
Especialista defende que o tratamento da obesidade deve ir além da balança, com foco em redução de gordura, preservação de massa magra e manutenção...
23/06/2026 10h01
Por: Radar Nacional Fonte: Agência Dino

O tratamento do excesso de peso passou por mudanças importantes nos últimos anos. Novas medicações, avanços na avaliação da composição corporal e maior compreensão dos mecanismos hormonais da fome ampliaram as possibilidades terapêuticas. Ainda assim, o desafio mais importante permanece o mesmo: perder peso com segurança e manter o resultado no longo prazo.

Em conformidade com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e recidivante. Isso significa que ela não depende apenas de força de vontade, nem pode ser tratada de forma simplista com dietas restritivas ou fórmulas prontas. Sono, genética, ambiente alimentar, massa muscular, resistência à insulina, saúde mental, uso de medicamentos e histórico de dietas anteriores influenciam diretamente a resposta ao tratamento.

Por esse motivo, a medicina metabólica tem reforçado uma mudança importante de perspectiva: emagrecer não é apenas pesar menos. A qualidade da perda de peso importa. Quando o paciente perde massa muscular de forma significativa, pode ocorrer redução do gasto energético, piora da disposição, queda da performance física e maior risco de reganho.

Segundo o médico nutrólogo, Dr. Darwin Ribeiro, que atua com tratamento clínico da obesidade em João Pessoa, o foco deve estar na composição corporal e na sustentabilidade do resultado.

“Um emagrecimento mal conduzido pode até reduzir o peso na balança, mas comprometer massa muscular e saúde metabólica. O objetivo deve ser reduzir gordura, especialmente gordura visceral, preservando função, força e capacidade metabólica”, explica.

Esse ponto é especialmente relevante diante da popularização de soluções rápidas para emagrecimento. Autoridades em saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitem alertas recorrentes sobre os perigos dessas práticas. Protocolos muito restritivos, automedicação, fórmulas sem controle adequado e produtos vendidos como “naturais” podem produzir perda inicial, mas frequentemente aumentam o risco de desidratação, perda muscular, alterações clínicas e efeito sanfona.

O chamado efeito sanfona ocorre quando o peso perdido retorna após o fim da intervenção. Em muitos casos, isso acontece porque o organismo responde à restrição energética reduzindo o gasto calórico e aumentando sinais de fome. Quando há perda de massa magra nesse processo, a manutenção fica ainda mais difícil.

Por isso, o tratamento da obesidade deve considerar mais do que o peso inicial e a meta final. Exames laboratoriais, circunferência abdominal, bioimpedância, avaliação alimentar, padrão de sono, rotina de atividade física e presença de compulsão alimentar ajudam a definir uma estratégia mais precisa.

Dois pacientes com o mesmo peso podem ter necessidades completamente diferentes. Um pode apresentar alta gordura visceral e baixa massa muscular. Outro pode ter resistência à insulina, menopausa, dor crônica, ansiedade alimentar ou histórico de múltiplas dietas restritivas. A individualização evita que problemas diferentes sejam tratados com a mesma fórmula.

As novas medicações para obesidade trouxeram avanços relevantes, mas especialista destaca que elas devem ser usadas dentro de um plano estruturado. Quando indicadas corretamente, podem auxiliar no controle da fome, na adesão ao tratamento e na redução de peso. Porém, não substituem avaliação clínica, orientação alimentar, treino de força e acompanhamento.

Para o Dr. Darwin Ribeiro, a principal métrica de sucesso não deve ser apenas a velocidade da perda inicial.

“O resultado mais importante é aquele que o paciente consegue sustentar. Perder peso rápido e recuperar depois não resolve o problema. O tratamento precisa melhorar exames, reduzir gordura de risco, preservar massa magra e aumentar a autonomia do paciente”, afirma.

A discussão sobre emagrecimento em João Pessoa acompanha uma tendência nacional: abandonar a lógica da promessa imediata e fortalecer uma abordagem mais técnica, baseada em segurança, adesão e manutenção. A balança segue sendo uma ferramenta útil, mas não deve ser o único marcador de sucesso.

No fim, emagrecer bem significa reduzir risco, melhorar função e construir um resultado possível de ser mantido. A perda de peso pode ser o ponto de partida, mas a saúde metabólica é o verdadeiro desfecho.

Informações educativas sobre emagrecimento saudável, composição corporal e tratamento clínico da obesidade podem ser encontradas em canais especializados, como o portal Emagrecimento João Pessoa e o site darwinribeiro.com.br.