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Associação de delegados reage a declaração de Lula sobre devolução de celulares roubados
Entidade gaúcha divulgou nota de repúdio após fala do presidente durante reunião do Conselhão e afirmou que a categoria se sentiu desrespeitada pelas declarações.
17/06/2026 10h19
Por: Marcelino Antunes Fonte: Marcel Horowitz
Delegados do Rio Grande do Sul repudiam fala de Lula, que insinuou suposto receio da população em ir às delegacias. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Uma nota da Associação dos Delegados de Polícia (ASDEP) do Rio Grande do Sul em repúdio às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, foi divulgada nesta terça-feira. No encontro, Lula incentivou a devolução de celulares roubados aos Correios, no âmbito do programa Celular Seguro, alegando receio da população em buscar delegacias.

“A dúvida é que eu não quero devolver [celulares] na delegacia, eu quero devolver nos Correios, porque devolver na delegacia as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, sugeriu Lula.

Em comunicado, a ASDEP disse que o presidente ofendeu a categoria. A entidade garantiu, entretanto, que a classe manterá o atendimento ao público, apesar das insinuações de Lula.

Leia a nota da ASDEP

A Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul – ASDEP vem a público registrar sua inconformidade pela forma equivocada e desrespeitosa com que o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva referiu-se aos policiais civis em geral, ao mencionar sua intenção de que os telefones roubados sejam devolvidos nos Correios, e não nas delegacias, afirmando que as pessoas “têm até medo, por que não sabem o tipo de delegado que vai encontrar, ou tipo de policial”, ofendendo a toda uma categoria que trabalha com denodo e coragem, enfrentando, diuturnamente e com risco da própria vida, a criminalidade que assola o país.

Lamentavelmente, não é a única autoridade pública que atribui aos policiais, genericamente, a possibilidade do cometimento de irregulares, esquecendo-se da imensa maioria, constituída de profissionais que cumprem suas atribuições adequadamente e de que atitudes desonestas não são exclusividade de um só segmento social, mas estão presentes nas diversas áreas da república.

Porém, os policiais civis não se deixarão abater e continuarão a prestar seus bons serviços públicos, buscando assegurar a justiça e a paz social tão desejada por todos os brasileiros de bem, independentemente de críticas sofridas, na maioria das vezes infundadas e provenientes de quem desconhece a sua importância como integrantes do sistema de segurança pública.

Porto Alegre, 16 de junho de 2026.

 

 

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