Polícia l Trânsito Investigação
Policiais militares são acusados de receber R$ 20 mil para proteger facção no RS
Conforme a acusação, PMs teriam recebido pagamentos mensais para repassar informações sigilosas e favorecer atuação do tráfico em São Leopoldo
01/06/2026 08h10
Por: Andre Eberhardt Fonte: Jornal Província com informações MP RS
(Foto: Sistema Província)

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou denúncia contra dois policiais militares investigados por suposto envolvimento com uma organização criminosa que atuava em São Leopoldo. A denúncia foi oferecida na quarta-feira, 27 de maio, pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs, responsável pela 2ª Promotoria Militar de Porto Alegre. Os dois seguem presos preventivamente.

De acordo com a ação, os fatos investigados ocorreram entre setembro e dezembro do ano passado. Os denunciados respondem por crimes como corrupção passiva, violação de domicílio, furto qualificado, revelação de segredo funcional e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, os policiais teriam recebido valores mensais entre R$ 15 mil e R$ 20 mil de pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Em contrapartida, seriam responsáveis por omissões em ações policiais, compartilhamento de informações sigilosas e proteção a locais utilizados para a comercialização de entorpecentes.

A denúncia aponta que o esquema funcionava de forma contínua e organizada, com divisão de recursos, datas previamente definidas para pagamentos e atuação coordenada entre os envolvidos. A investigação também identificou indícios de incompatibilidade entre a renda declarada pelos policiais e o padrão de vida apresentado, o que teria evidenciado o recebimento de recursos de origem ilícita.

Os dois policiais também são acusados de invadir uma residência em novembro de 2025, mediante arrombamento. Conforme a investigação, do local teriam sido levados dinheiro e drogas avaliados em mais de R$ 400 mil. Além disso, os denunciados teriam acessado sistemas restritos e repassado informações protegidas a terceiros.

Ainda segundo o Ministério Público, os investigados utilizariam mecanismos para ocultar a origem dos recursos recebidos, incluindo movimentações em contas de terceiros, depósitos em espécie e operações financeiras fracionadas, práticas apontadas como características de lavagem de dinheiro.

A apuração contou com a atuação do Núcleo de Inteligência do Ministério Público (NIMP), coordenado pelo promotor de Justiça André Dal Molin, que conduziu medidas investigativas, entre elas quebras de sigilo bancário que embasam a ação penal.

 
 

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