A vida em uma das cidades mais modernas do planeta ganhou novos contornos nos últimos meses. Morando em Dubai há pouco mais de um ano, a jovem Karolina Niedermayer, natural de Santo Augusto, passou a conviver com alertas de segurança, barulhos de explosões e alterações na rotina em meio ao clima de tensão no Oriente Médio.
Trabalhando como au pair — programa de intercâmbio no qual jovens residem com famílias no exterior em troca de auxílio no cuidado com crianças — ela conta que as primeiras mudanças surgiram no ambiente doméstico. As crianças pelas quais é responsável deixaram de frequentar a escola presencialmente, migrando para aulas online, o que exigiu reorganização no dia a dia.
Um dos primeiros episódios marcantes ocorreu no final de fevereiro, quando Karolina estava na praia e observou a passagem de um míssil, que, segundo relatos, teria como destino Abu Dhabi. Pouco depois, começaram a surgir notificações no celular alertando sobre possíveis ameaças envolvendo mísseis e drones.
Outro momento de tensão foi registrado nas proximidades do aeroporto, quando partes de um drone atingiram a área de abastecimento de uma aeronave. Apesar de não haver vítimas, o incidente acabou adiando uma viagem que ela faria para Portugal. Já em outra ocasião, um alarme de emergência soou na véspera de seu aniversário, após destroços de um míssil atingirem residências próximas, deixando pessoas com ferimentos leves.
Desde então, os alertas sonoros passaram a integrar a rotina. Karolina descreve o barulho como intenso e, por vezes, assustador, principalmente durante a noite. Em diferentes momentos, foi possível ouvir claramente o deslocamento de mísseis e a atuação dos sistemas de defesa aérea, chegando a provocar tremores na casa onde vive.
Uma dessas situações ocorreu durante uma aula virtual de inglês, à noite. Segundo ela, os sons eram tão evidentes que até o professor percebeu o ocorrido, enquanto a residência apresentava leves vibrações.
Apesar do cenário, Karolina afirma que a cidade segue funcionando normalmente, sem restrições significativas na circulação ou no comércio. De acordo com ela, o controle das autoridades contribui para uma sensação de segurança, mesmo diante dos episódios recentes.
Nos últimos dias, a jovem relata uma redução nos registros de ataques, trazendo certo alívio momentâneo. Ainda assim, a população permanece atenta aos desdobramentos. Escolas avaliam a retomada das atividades presenciais, mas aguardam maior estabilidade.
Mesmo com o contexto de incertezas, Karolina já tem data para retornar ao Brasil: a viagem está prevista para o próximo dia 7. Até lá, ela segue acompanhando a situação e ajustando sua rotina conforme a evolução do cenário internacional.
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