O assassinato do menino Bernardo Uglione Boldrini completa 12 anos neste mês. O menino de 11 anos desapareceu em abril de 2014, em Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul, e foi encontrado morto dez dias depois, em um crime que chocou o país e segue na memória dos brasileiros. Relembre o caso abaixo.
Em 2019, quatro pessoas foram condenadas, por meio do Tribunal do Júri, pela morte do menino: o pai, Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Ugulini; a amiga da madrasta, Edelvânia Wirganovicz; e o irmão dela, Evandro Wirganovicz.
O pai, a madrasta e a amiga foram denunciados por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima). Já Evandro foi condenado por homicídio simples. Todos foram acusados de ocultação de cadáver.
Em julho de 2025, a Justiça do RS aumentou as penas impostas em primeira instância contra Boldrini e Graciele para 13 anos e 15 dias de reclusão por tortura, em regime fechado, e quatro anos, nove meses e 15 dias de detenção por abandono material, em regime semiaberto. O crime de submissão a vexame e constrangimento foi extinto por prescrição.
Onde estão?
Caso Bernardo: pai da vítima, Leandro Boldrini, é réu em júri — Foto: Reprodução/RBS TV
A execução da pena ocorre em regime semiaberto, com saída temporária deferida. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), ele não possui trabalho externo autorizado até esta publicação e não apresentou carta de emprego ou pedido formal para exercer atividade fora do sistema prisional.
Em fevereiro de 2025, Boldrini foi desligado do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) após ter o registro médico cassado. Ele havia sido selecionado, em 2024, para uma vaga no programa de residência médica da instituição. A cassação foi determinada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), após recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra uma decisão anterior do Conselho Regional de Medicina (Cremers), que havia absolvido Boldrini em processo ético-profissional.
Com a decisão, Boldrini ficou impedido de exercer a medicina, teve os sistemas de acesso e o crachá do hospital cancelados e não poderá mais ingressar na instituição como profissional da área.
Graciele Ugulini — Foto: reprodução
De acordo com o TJRS, Graciele exerce atividades laborais internas na cozinha do Instituto Penal de Santo Ângelo.
Edelvânia Wirganovicz. — Foto: reprodução
Edelvânia Wirganovicz foi encontrada morta no Instituto Penal Feminino de Porto Alegre em abril de 2025. Segundo a Polícia Penal, a suspeita é de suicídio.
A mulher era amiga da madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, também condenada. Edelvânia admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.
Em maio de 2022, Edelvânia foi para o regime semiaberto. Em 2023, uma decisão do juízo da 2ª Vara de Execuções Criminais da comarca de Porto Alegre determinou que Edelvânia utilizasse tornozeleira eletrônica em razão da falta de vagas no sistema prisional.
Em fevereiro de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, determinou que ela retornasse ao regime semiaberto.
Evandro Wirganovicz é interrogado no júri do caso Bernardo — Foto: Reprodução/TJ-RS
O irmão de Edelvânia foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por homicídio simples e ocultação de cadáver.
Ele já cumpriu a pena, que foi extinta em janeiro de 2024, e está solto.
O caso Bernardo marcou o país e permanece como um dos crimes mais emblemáticos da última década.
Na última semana, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul aprovou o Projeto de Lei nº 424/2024, de autoria do deputado Delegado Zucco, que cria a Patrulha Estadual de Prevenção à Violência Doméstica e Familiar contra Crianças e Adolescentes, apelidada pelo parlamentar como “Patrulha Bernardo”. A proposta estabelece ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência praticada no ambiente familiar.