Nos últimos cinco anos, 20 municípios da Região Norte do Rio Grande do Sul deixaram de contar com terminais rodoviários físicos. O dado consta em um levantamento do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e aponta que, com o fechamento das estações, os usuários passaram a comprar passagens por aplicativos ou diretamente com motoristas, sem acesso à estrutura tradicional das rodoviárias.
O caso mais recente foi registrado em Lagoa Vermelha. Em janeiro, a prefeitura, em parceria com o Daer, definiu um local provisório para embarque e desembarque de passageiros enquanto não é realizada uma nova licitação para o terminal.
De acordo com Alexandre Panegalli, presidente do Sindicato de Agências e Estações Rodoviárias no Estado do Rio Grande do Sul (Saerrgs), o encerramento das rodoviárias está relacionado à diminuição do número de horários disponíveis e à queda no volume de passageiros, fatores que fragilizam o sistema de transporte rodoviário.
— Quando uma estação fecha ou é substituída por um ponto improvisado, diversas funções deixam de existir naquele espaço, e os trabalhadores acabam sendo direcionados ao mercado em busca de recolocação em outras empresas ou setores — explica.
Redução no uso dos terminais físicos
Outro exemplo recente no Norte do Estado é o fechamento da Rodoviária de Tapejara, que encerrou as atividades em 31 de dezembro de 2025.
Em Passo Fundo, os números também indicam retração. Em 2019, a rodoviária registrou 472.924 vendas de passagens. Em 2021, esse total caiu para 233.539, uma redução de aproximadamente 50,6%. A diminuição continuou nos anos seguintes, chegando a 222.411 vendas em 2025, o que confirma a queda contínua na utilização do transporte rodoviário no município.
O Daer esclarece que o fim da concessão de uma rodoviária não significa a paralisação das linhas de transporte. Segundo o órgão, as empresas seguem operando normalmente nas cidades afetadas.
Já o Saerrgs alerta que a realização de embarques e desembarques em locais informais gera falta de padronização e indefinição de responsabilidades no atendimento aos passageiros.
— Há manifestações de desconforto por parte da população. Os relatos incluem dificuldades de acesso, ausência de salas de espera, banheiros e abrigo contra as condições climáticas, além da localização afastada dos novos pontos em relação ao centro das cidades — destacou Alexandre Panegalli.