Especiais Tenente Portela
Nesta segunda-feira, 18 de agosto, Tenente Portela celebra 70 anos de emancipação político-administrativa
A cidade consolidou-se como uma das principais referências da metade norte do Rio Grande do Sul.
18/08/2025 11h10
Por: Marcelino Antunes Fonte: Jalmo Fornari - Jornal Província
(Foto: Jalmo Fornari / Jornal Província)

O município de Tenente Portela completa, nesta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, 70 anos de emancipação político-administrativa.
Uma cidade com características próprias e com uma história moldada pelo trabalho de seu povo, Tenente Portela consolidou-se como uma das principais referências da metade norte do Rio Grande do Sul.

Nos últimos anos, o município tornou-se também um polo regional em saúde, com o Hospital Santo Antônio figurando entre as grandes casas de atendimento hospitalar do estado. No entanto, a história portelense vai muito além. Baseado em parte do amplo trabalho de pesquisa realizado pelo jornalista Jalmo Fornari, confira a seguir alguns marcos dessa trajetória.

As primeiras incursões
O primeiro registro da chegada de homens à área hoje ocupada pelo município remonta a 1754, conforme relata o historiador Mozart Pereira Soares em sua obra Santo Antônio da Palmeira. Naquele ano, a Câmara de Vereadores de Cruz Alta contratou um tenente do Exército para comandar uma expedição às matas dos “costilhares” do Rio Uruguai com a finalidade de avaliar o potencial da erva-mate nativa, então um produto de significativo valor comercial.

Além desse registro, há relatos de passagens de jesuítas que, vindos da região de Foz do Iguaçu, cruzaram o Rio Uruguai, percorrendo trechos do Guarita e do Turvo, a caminho dos Sete Povos das Missões.

A Revolução Federalista e os primeiros moradores
No final do século XIX, com a Revolução Federalista de 1893, diversas famílias se refugiaram nas matas da região. Muitas delas dedicaram-se à subsistência e à colheita da erva-mate. Entre esses pioneiros estavam famílias de origem portuguesa, como os Lima, Fortes e Castro — estes últimos vindos de Caxambu (MG), o que lhes rendeu a alcunha de “caxambus”, apelido ainda presente entre seus descendentes.

O local já era conhecido pelo nome indígena Parí (ou Paris), termo ligado a uma armadilha de pesca utilizada pelos povos kaingangs e guaranis.
Do Pari à Coluna Prestes

Na década de 1920, a localidade mantinha intensa ligação com Campo Novo, importante centro ervateiro. Pelo menos oito “noques” de beneficiamento funcionavam em Pari.

A passagem da Coluna Prestes deixou marcas profundas. Como a maioria dos moradores era simpatizante dos maragatos, sofreram represálias da Brigada Militar e dos temidos corpos provisórios. Cinco “noques” foram incendiados em 1925 e várias famílias se viram obrigadas a migrar para a Argentina.

O ciclo da madeira
Com a derrubada das matas, iniciou-se o período áureo das balsas de toras que desciam o Rio Uruguai até San Tomé, na Argentina. Serras e empreendimentos efêmeros, como os de Pedro Garcia, atraíram inclusive operários paraguaios, marcando o início da exploração madeireira e das primeiras serrarias.

De Miraguay a Tenente Portela
No início da década de 1940, a vila passou a se chamar Miraguay, em homenagem a um líder indígena. A Terra Indígena da Guarita já havia sido demarcada em 1918. Aproximadamente 90 famílias viviam na vila e nos arredores, entre elas sobrenomes que se tornaram tradicionais, como Fibig, Malmann, Panassolo, Salamoni, Machado, Chiodi e Vicenzi.

Em 1942, por determinação do interventor estadual Osvaldo Cordeiro de Farias, a localidade recebeu o nome de Tenente Portela, em memória de um oficial da Coluna Prestes morto às margens do Rio Pardo.

O caminho da emancipação
Com a emancipação de Três Passos, em 1944, Tenente Portela tornou-se distrito. O crescimento populacional, aliado à instalação de serviços básicos — hospital, hotéis, armazéns e entrepostos —, fomentou o sentimento de autonomia.

Após uma tentativa frustrada, em maio de 1955 a Assembleia Legislativa autorizou a realização de plebiscito. No dia 3 de julho de 1955, 1.810 eleitores compareceram às urnas: 1.782 votaram a favor da emancipação, apenas 7 contra, 1 em branco e 20 nulos.

Pouco mais de um mês depois, em 18 de agosto de 1955, o governador Ildo Meneghetti sancionava a Lei nº 2.673, criando oficialmente o município de Tenente Portela. A publicação ocorreu no Diário Oficial do Estado em 22 de agosto daquele ano. 

(Jalmo Fornari)