Na Fenasoja, em Santa Rosa, Valdomiro, bancário apaixonado por rock, aguardava com a família o show de uma banda nacional. Após passear pelos estandes, Miro e a esposa foram ao setor próximo ao palco, onde fãs se aglomeravam num clima de “Rock in Rio” caseiro, cantando, bebendo cerveja e soltando baforadas de fumaça.
Naquela multidão vibrante, Valdomiro percebeu que Pablo, seu filho de 10 anos, havia sumido. O coração disparou: ele buscou entre os ombros, olhou para todos os lados, mas nada do menino. Desesperados, ele e a esposa perguntavam aos que passavam: “Vocês viram um garoto de camiseta vermelha e boné azul?” Ninguém sabia de Pablo.
Um espectador sugeriu: “Suba ao palco e peça ajuda no microfone!” Sem hesitar, Miro correu às escadas laterais. Quando os músicos de abertura pausaram, o apresentador liberou o microfone. Com a voz embargada, Valdomiro gritou:
— Pablo! Pablinho! Aqui é o papai. Levanta o braço, filho, pra eu te encontrar!
Num instante, milhares de jovens ergueram os braços e gritaram em coro:
— TÔ AQUI, PAIÊ! TÔ AQUI, PAIÊ!
Tomada por solidariedade, a plateia abafou a banda, transformando o apelo angustiado em uma algazarra de vozes unidas. Risos e gritos ecoaram pelo ginásio, e, em poucos segundos, Pablo surgiu correndo pelos bastidores. Subiu ao palco, abraçou o pai com força e sorriu aliviado, ao lado da mãe.
Ao ver a família reunida, a multidão que gritara “tô aqui!” explodiu em palmas, assovios e vivas. Foi emocionante — só Pablo resmunga quando o pai revive o episódio em churrascos com os amigos.
E assim, entre risadas e causos, o episódio vive no repertório familiar, prova de que, numa grande plateia, cabe o abraço de milhares de pais.