Especiais Jalmo Fornari
Non, non!!!
As Aventuras (e Desventuras) do Inesquecível Cirilo
24/06/2025 14h52
Por: Jalmo Fornari

Numa de suas muitas viagens a Três Passos — pela estrada ainda sem pavimentação — o Cirilo, na época com sua Variant, que servia de carro de apoio à família, de transporte nas horas vagas e de táxi no cotidiano, passou por um contratempo no retorno.Aliás, um transtorno bastante comum para quem usava aquela estrada, quase sempre esburacada e com pedras salientes, especialmente no cerro do lado de lá do Rio Turvo. O problema, neste caso, foi um pneu que, não resistindo às irregularidades do trecho, arriou.Nosso amigo, ao sentir o solavanco, encostou o carro na beira da estrada. Com seu jeito peculiar de tornar tudo mais dramático do que era, chacoalhou a cabeça, soltou uns quatro ou cinco dos seus característicos “Non, non!” e só então abriu a porta da Variant e saiu.Mesmo tendo identificado imediatamente o problema, Cirilo deu uma lenta volta ao redor do carro, como se procurasse algo além do pneu estourado e da roda no chão. Sem muitas alternativas, abriu o capô dianteiro, pegou o macaco e a chave de roda para iniciar a troca.Ergueu o carro, retirou os parafusos, pegou o pneu furado e o encostou no para-choque. Em seguida, retirou o estepe, fechou o capô e começou a colocá-lo no lugar do danificado. Ao terminar, como o pneu era do lado direito, largou o macaco e a chave de roda no chão, na frente do banco do carona. Reclamando mais um pouco, entrou na Variant e deu a partida.
Cerca de vinte minutos depois, chegou à borracharia do Paludo, renovando seu rosário de lamentações:
— Só pra mim acontece isso! Non, non! Adivinha? Furei um pneu!
Paludo, já acostumado com o chororô, nem deu muita bola e apenas pediu:
— Abre o capô aí, Cirilo, que eu vou tirar o pneu pra consertar.
Ao levantar o capô, Paludo estranhou:
— Ué, Cirilo... Aqui não tem pneu nenhum!
— Non, non, non! Então foi isso...
— Isso o quê?! — retrucou Paludo.
— Só comigo acontece isso. Bem que desconfiei do baque que senti depois de montar a roda. Só pode ser isso... Eu passei por cima do estepe!
Era, mais uma vez, o Cirilo sendo o Cirilo.