Especiais Securitização
Agricultores bloqueiam BR-386 em Frederico Westphalen em novo protesto por securitização de dívidas
Mobilização reúne trabalhadores rurais, entidades e empresas do agro para pressionar o governo federal por políticas públicas que garantam a continuidade da produção no campo.
06/06/2025 13h56
Por: Marcelino Antunes Fonte: LA+
(Foto: Almir Felin)

Frederico Westphalen vive mais um capítulo das mobilizações do campo nesta sexta-feira, 6, com o bloqueio total da BR-386, no quilômetro 32, no entroncamento com a RS-150, próximo ao Parque de Exposições. A ação integra um movimento estadual promovido por agricultores que exigem do governo federal a securitização das dívidas rurais, medida prevista no Projeto de Lei 320/2025.

Com apoio de diversas entidades, empresas do setor e comerciantes locais, o protesto visa pressionar o poder público a tomar providências diante da crescente crise enfrentada pelos produtores rurais gaúchos.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Frederico Westphalen, Amarildo Manfio, a mobilização reflete o desespero de quem já não encontra alternativas para manter sua atividade.

– Jamais gostaríamos de ver o agricultor protestando em cima de uma BR. O lugar do produtor é na propriedade, produzindo alimento. Mas, diante da seca, das chuvas excessivas e do desprezo dos governos, não resta outra saída –, afirmou Manfio.

Segundo ele, as mobilizações deste ano já se multiplicaram em diversos pontos do estado, com atos em agências bancárias e em frente ao Ministério da Agricultura, em Porto Alegre. “O agricultor quer pagar suas contas, manter o CPF em dia. Mas precisa de apoio para continuar na atividade. A securitização é fundamental neste momento”, reforçou.

Um dos apoiadores do movimento, Fernando Zimmermann, da empresa Plantare Sementes, destacou a importância de a sociedade urbana compreender o papel do produtor rural.

– O agricultor não está aqui para fazer baderna, mas para sobreviver. Vi muitos comentários nas redes sociais criticando quem tem trator novo. Mas essas máquinas são financiadas, são ferramentas de trabalho. A produção exige tecnologia e agilidade. O povo precisa enxergar que tudo que está no mercado — do alimento à roupa — tem origem no campo –, desabafou.

Zimmermann também fez um apelo à população da cidade para apoiar a causa: “Convidamos comerciantes, moradores, todos que dependem do agro para se juntarem a nós. Se o produtor parar, para a indústria, para a arrecadação. Não é só um problema do campo, é de toda a sociedade.”

A mobilização ocorre de forma pacífica e organizada, com liberação parcial do trânsito em momentos determinados. A Polícia Rodoviária Federal acompanha o movimento. Veículos de emergência têm passagem liberada.

Entre as principais reivindicações dos agricultores estão:

 

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