O júri que vai decidir o desfecho do assassinato de Sandra Mara Lovis Trentin, contadora em Palmeira das Missões encontrada morta em 2018, foi remarcado para 25 de junho.
Conforme o Tribunal de Justiça (TJ-RS), a sessão de julgamento começará às 9 horas no Fórum de Palmeira das Missões. O julgamento deveria ter acontecido em 27 de fevereiro, mas foi adiado depois da desistência do advogado de defesa de Paulo Ivan Baptista Landfeldt – acusado de ser o mentor do desaparecimento e assassinato da mulher.
Marido da vítima e ex-vereador de Boa Vista das Missões, o homem é um dos réus do processo, junto de Ismael Bonetto – apontado como executor do crime. Os dois seguem presos e negam envolvimento no homicídio.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão em janeiro de 2018, quando a contadora desapareceu depois de sair de casa em Boa Vista das Missões. O carro dela foi encontrado no Município de Palmeira das Missões – último local onde foi vista com vida.
O mistério gerou mobilização até a confirmação da morte, com a localização dos restos mortais, um ano depois. A ossada estava em uma mata no limite com o Município de Condor.
A denúncia do Ministério Público (MP-RS) afirma que Paulo Ivan Baptista Landfeldt não queria dividir o patrimônio do casal em eventual separação. A acusação sustenta que Sandra Mara tinha conhecimento do envolvimento do marido em atos ilícitos, irregularidade e improbidade administrativa, em Boa Vista das Missões, e poderia levar isso ao conhecimento das autoridades.
Segundo a denúncia, o então vereador teria contratado Ismael Bonetto e outros executores – não identificados pela investigação – para assassinar a vítima. O acusado teria prometido R$ 40 mil pelo assassinato e sumiço da mulher.
Ainda de acordo com a denúncia do MP-RS, em razão disso, Ismael Bonetto e os demais executores renderam Sandra Mara, com armas de fogo, levaram a vítima até local ermo, onde ela foi assassinada. Inicialmente, o corpo teria sido escondido em matagais no interior do Município de Vicente Dutra.
Em fevereiro de 2018, o marido da contadora procurou a polícia para revelar que estava sendo extorquido por um rapaz que afirmava estar com a contadora. Dois dias depois, o mesmo jovem, identificado como Ismael Bonetto, então com 22 anos, foi preso em Lages/SC.
A prisão mudou os rumos da investigação. O jovem confessou à polícia que tinha sequestrado e assassinado com dois tiros a contadora, a mando do marido dela. No mesmo dia, Paulo Ivan Baptista Landfeldt foi preso.
Antes disso, porém, o marido teria removido o corpo de Sandra Mara com auxílio de outras pessoas, não identificadas, até uma cova rasa às margens da BR-285. No mesmo local, foi deixada uma sacola com cartões bancários, documentos e pertences da vítima.
Uma semana após a prisão, Ismael Bonetto voltou atrás e disse que mentiu sobre ter assassinado a contadora a mando do vereador. Contou que ficou sabendo do desaparecimento por uma vizinha e que decidiu extorquir o marido da vítima, mentindo que estava com Sandra Mara. Mas não soube explicar por que disse à polícia que havia matado a mulher.
A Polícia Civil entendeu, no entanto, que a primeira versão apresentada pelo jovem preso era a mais próxima do que aconteceu com a contadora e indiciou os dois. Até então, Sandra Mara seguia desaparecida.
O corpo da mulher foi encontrado um ano depois – em janeiro de 2019. A análise da arcada dentária confirmou que os restos mortais eram da vítima, mas a causa da morte não pôde ser apontada com precisão em razão do tempo transcorrido entre o óbito e a localização da ossada.
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