Especiais Jalmo Fornari
Fui beijado pelo "Beijoqueiro"
Nos anos 80 ele percorria o País beijando famosos
27/05/2024 15h51
Por: Jalmo Fornari

 

Muitos dos meus contemporâneos com certeza lembram do português José Alves de Moura, que nos anos 80 ficou nacional e internacionalmente conhecido como o "Beijoqueiro" por colecionar beijos dados em celebridades da época. O sujeito, que chegou ao Brasil com 17 anos, dedicou a vida toda a perseguir as personalidades que admirava e beijá-las para registrar em seus relatórios. Bastava o cidadão ser famoso e se expor publicamente que lá estava o português, nascido na cidade de Gondomar, para segurar o rosto da vítima com as duas mãos e tascar um beijo. Entre os muitos famosos que não escaparam de suas "beijocas" estão celebridades como o cantor Frank Sinatra, a atriz Dercy Gonçalves, que, na festa dos seus 100 anos, foi beijada na boca pelo português, o célebre atacante Zico do Flamengo e da seleção, Roberto Dinamite, que se imortalizou no Vasco da Gama, o Rei Roberto Carlos, entre tantos outros.

Na posse de Leonel Brizola, quando eleito governador do Rio de Janeiro, o Beijoqueiro mais uma vez foi uma presença marcante e incluiu o político gaúcho na sua lista de beijados. Já treinado, ele furou o esquema de segurança e beijou o governador no rosto, que, felizmente, levou o fato numa boa. Quando o papa João Paulo II veio ao Brasil, o Beijoqueiro foi preso por precaução, no Rio de Janeiro, já que ele havia antecipado que beijaria Sua Santidade. Novamente, de nada adiantou porque, após ser solto, ele foi a Manaus, onde o Papa faria uma parada, e acabou dando 17 beijos nos pés de João Paulo II, episódio que, por sinal, comoveu muita gente naqueles tempos.

Em 1984, ele foi a Porto Alegre beijar um famoso jogador de futebol da época, contudo, os seguranças do clube, na determinação de impedir a aproximação, acabaram agredindo-o. Eu assistia a tudo a uma relativa distância. Ele, com o rosto lesionado, chegou em lágrimas até o carro de reportagens da RBS, onde eu estava acompanhando todo o episódio. Com o rosto ferido e diante da minha consternação e solidariedade com a sua situação, pediu que déssemos uma carona até um hospital. Claro que não recusaria o pedido de ajuda, nem para ele, nem para ninguém. Imediatamente pedi ao seu Ari, o nosso motorista, que fossemos urgentemente ao Hospital de Pronto Socorro para que o famoso agredido pudesse receber atenção e fazer curativos.

Lá chegando, sem que eu pudesse dizer qualquer coisa, ao descer do Fusca azul, o homem se aproximou de mim e beijou meu rosto em agradecimento. Eu ri e disse: "Agora fiquei famoso também, Beijoqueiro!" O português, mesmo com o rosto ferido e a camisa rasgada, em frente ao H.P.S., após o beijo, me agradeceu muito pela ajuda, pediu o meu nome e prometeu que me incluiria no seu caderno de pessoas beijadas. Kkk!

Pois é, foi assim que, mesmo sem ser famoso, entrei no rol do Português Beijoqueiro.