Os campos do Rio Grande do Sul enfrentam uma situação crítica após as cheias que começaram em 1º de maio. A tragédia climática tem causado prejuízos severos às lavouras de verão que ainda não haviam sido colhidas. A situação piorou com a volta das chuvas nesta semana, dificultando o trabalho de dimensionamento dos danos aos grãos, solos e infraestrutura nas propriedades rurais.
A Emater/RS-Ascar, contratada pelo governo estadual para assistência técnica e extensão rural, divulgou no Informativo Conjuntural de 9 de maio que as culturas de soja, arroz, milho e feijão 2ª safra foram significativamente afetadas. As plantações prontas para a colheita sofreram perdas importantes, comprometendo a qualidade dos grãos. Além disso, a produção de hortigranjeiros foi submersa.
A soja, cultura mais importante do Rio Grande do Sul, teve um avanço de 7% na colheita entre os dias 9 e 16 de maio, alcançando 85% dos 6,68 milhões de hectares plantados. Antes das enchentes, as expectativas eram de uma safra recorde de 22,24 milhões de toneladas. Porém, os 15% restantes, equivalentes a 1 milhão de hectares, podem sofrer perdas totais, resultando em uma perda potencial de quase 3,4 milhões de toneladas de grãos.
O arroz irrigado, com 900,2 mil hectares semeados, também foi duramente afetado. O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) reportou que, até 8 de maio, ainda havia 142,1 mil hectares por colher, com 23 mil hectares totalmente perdidos e 17,9 mil hectares parcialmente submersos. As plantações mais afetadas estão na Região Central do estado.
O feijão da 2ª safra, uma cultura sensível e valiosa, é a mais atrasada na colheita, com apenas 30% dos 19,9 mil hectares colhidos. As principais regiões produtoras, Caxias do Sul e Frederico Westphalen, enfrentam prejuízos significativos devido à vulnerabilidade da cultura às condições climáticas adversas.
O milho, essencial para a alimentação de aves e suínos, também sofreu danos. Até 16 de maio, 88% dos 812,7 mil hectares foram colhidos. No entanto, as chuvas inviabilizaram a colheita das áreas restantes, causando perdas de até 100% em algumas regiões.
Além das perdas de grãos, os solos agrícolas foram severamente afetados, sofrendo erosão e outros danos que comprometem o trato agronômico. A produção de hortaliças também foi prejudicada, com atrasos no desenvolvimento das culturas e dificuldades na implantação de novos cultivos, refletindo no aumento de preços e na redução do volume ofertado pela Ceasa.
As incertezas climáticas também afetam o planejamento da próxima safra de inverno, especialmente em relação ao trigo, do qual o Rio Grande do Sul é um dos principais produtores.