Especiais Jalmo Fornari
Meu Pai, um pioneiro.
69 anos de Tenente Portela
11/03/2024 14h58 Atualizada há 2 anos
Por: Jalmo Fornari

 

Meu pai chegou em Tenente Portela no dia 11 de setembro de 1945. Tinha 14 anos. Guardou com precisão a data porque lembrava sempre das linhas de cal, nas ruas poeirentas que  serviram de guia para o desfile da primeira festa da igreja, no domingo anterior.

Veio com a família, que alguns meses após, foi embora. Ele preferiu ficar, assim como o Elias, seu irmão menor. Saíram à procura de emprego na pequena Vila. Sua primeira atividade foi em um Armazém de Secos e Molhados que se instalava também com moagem de grãos.

Rapidamente de guri carregador de bolsas passou a “moinheiro” à motorista e assim foi para a estrada levando produtos da região num potente Ford  F-6. Mesmo quando ainda não tinha idade, sem carta de habilitação, fazia longas viagens.  Levava produtos da terra e trazia mercadorias para a loja dos patrões. Foi ganhando confiança e fazendo economias para mais tarde ter o seu próprio FNM.

No início dos anos 50 se encantou com as belezas de minha mãe.  Ela trabalhava na mesma firma, porém um degrau acima se dizia na época, ela era a caixa da empresa. A sua maneira ele insistiu e persistiu para conseguir o amor da pretendida. Ela havia chegado aqui no fim da década de 40, com um irmão que abriu um sessão de peças s depois o posto Esso, o maior da cidade. Dois anos após se casaram. Deste amor nasceram 6 filhos, cada um com suas histórias e os seus desafios. Destes, quatro moram ainda na Portela escolhida por papai e que hoje comemora os 66 anos de emancipação. Os filhos, todos homens, a maioria na chamada terceira idade, que ainda guardam a capacidade de se surpreender quando veem passar na mente, como um filme, as transformações nestas seis décadas. Todos casaram e tiveram filhos , a terceira geração na cidade... e aí a vida vai...

Ah! Papai e mamãe? Eles não vivem mais entre nós.  Repousam em paz no solo que escolheram para viver e construir os seus sonhos.