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24/06/2018 ás 01h00 - atualizada em 24/06/2018 ás 01h04

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Preço do leite decepciona na propriedade e assusta no supermercado
Matéria do Jornal Província faz resumo do setor na região
Preço do leite decepciona na propriedade e assusta no supermercado

Aquela bucólica cena que persiste no imaginário interiorano do leiteiro pedalando sua bicicleta pelas ruas poeirentas com uma garupeira repleta de litros de leite, passando de casa em casa e deixando o leite fresco nas portas das residencias é hoje apenas uma descrição romântica de um passado que está presente nos alfarrábios que registram a lembrança de um tempo que não volta mais.

Os leiteiros tornaram-se produtores, as bicicletas deram lugar para os caminhões e as garrafas de vidro e pets deram espaço para as caixas. Hoje, o leite não chega mais até o consumidor, ele é quem precisa ir até o supermercado para buscar um dos produtos mais importantes dentro da cadeia alimentar humana.

Toda essa mudança veio carregada pelas exigências sanitárias e preocupações com a saúde pública, com o desenvolvimento da indústria e com a modernização da cadeia produtiva. O leite deixou de ser mais um produto para se tornar a principal fonte de renda de milhares de famílias do interior gaúcho.

O Rio Grande do Sul é o segundo maior estado produtor de leite do país, perdendo apenas para Minas Gerais, e a nossa Região é uma das maiores produtoras do estado, o que coloca o leite próximo ao topo de lista da economia local.

Para se ter uma ideia da importância econômica do leite para a região é possível citar alguns números. Tenente Portela produz em média anualmente 17 milhões de litros de leite por ano, o que soma uma média de 46 mil litros de leite por dia. Dados da Emater de Tenente Portela.

Desprezando os fatores formadores da cotação do produto na última semana o estado fechou com o preço médio pago ao produtor de R$ 1,07, o que gera um movimento direto entre produtor e indústria de mais de R$ 18 milhões de reais por ano.

Nesta cadeia ainda temos o giro operacional de transporte que varia de empresa para empresa. Algumas indústrias mantêm um departamento próprio de transporte, outras optam por transportadores terceirizados e outros ainda pela modalidade semi-terceirizado, que é quando a empresa aluga o caminhão e contrata o motorista para prestar o serviço.

O cálculo desse custo é extremante difícil de se fazer, mas uma estimativa de um estudo da Fundação Getúlio Vargas estima que o custo de transporte gira em torno de 10% sobre o preço do produto. Se levarmos esse índice em conta constatamos que somente a cadeia de transporte de Tenente Portela movimenta mais R$ 1,7 milhões de reais por ano. Após o produto chegar na indústria ainda ocorre o custo operacional da industrialização em si.

Tenente Portela tem apenas uma empresa de industrialização de derivados de leite, mas o produto oriundo do município é entregue para diversas empresas localizadas na região noroeste do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina e para as mais diversas finalidades que vai desde a comercialização do produto industrializado até a fabricação de derivados e o uso em produtos como cosméticos e semelhantes.

No cálculo econômico do movimento do leite ainda deve ser adicionado mais o funcionário das indústrias, o transporte pós-industria direto para os supermercados, no entanto, geralmente o produto é entregue em distribuidoras que fazem o abastecimento para os supermercados até chegar no consumidor final.

Este consumidor está assustado com os preços dos produtos dos últimos dias. Os preços tiveram altas em diversos segmentos após a greve dos caminhoneiros. Entre esses produtos que sofreram elevação está o leite e seus derivados. As etiquetas dos supermercados têm deixado os consumidores apreensivos.

Um comerciante nos repassa que o custo do produto ultrapassou o preço que ele tinha na venda até recentemente. Segundo ele um litro de leite da mesma marca que estava sendo vendido a R$ 2,99 para o consumidor final, chegou da distribuidora a R$ 3,25. Este produto para chegar ao consumidor deve ser acrescido ainda do custo de estocagem e exposição e da margem de lucro que varia de um supermercado para o outro. No final, este mesmo litro de leite, que o consumidor encontrava até poucos dias atrás a R$ 2,99 agora ele vai pagar algo próximo de R$ 3,50, e em alguns casos ainda mais caro.

O comércio de modo geral, pelo menos com aqueles que mantivemos e contatos para a produção dessa matéria, não apresenta otimismo sobre a recuperação da paridade de preços uma vez que a estimativa é que a cadeia produtiva demore para recuperar as perdas ocorridas durante a greve e as influências do volátil momento econômico enfrentado pelo Brasil.

Representantes das indústrias esperam uma normalização dentro de 45 a 60 dias, no entanto, mesmo que os preços recuperem uma normalidade subjetiva dentro da cadeia, o preço final ainda tende a demorar mais para se recuperar já que ele depende dos estoques.

Isso também nos leva a outro importante fator atual. Muitos supermercados ainda estão conseguindo manter os preços baseados em estoque que haviam adquiridos antes da soma. A tendência é que tenhamos ainda mais uma alta nos preços nos próximos dias.O gerente de um supermercado de Tenente Portela disse não ter dúvidas de que se a tendencia se confirmar o preço do litro do leite pago pelo consumidor final vai ultrapassar a barreira dos R$ 4,00.

Em um cálculo simples e desprovido de diversos fatores que são determinantes, podemos avaliar que o preço do litro do leite entre a porteira da propriedade rural e o caixa do supermercado ficam em torno de 200% mais caro.

A disparada do preço pago pelo consumidor não para por aí. Outros produtos que dependem da cadeia produtiva do leite também estão sofrendo influencia direta nos preços que deverão refletir nos supermercados dentro dos próximos dias.

Produtos que vão desde a bala até o shampoo, passando pelo pão, cremes de leite, chocolates, doces, leite condensados, bolos e mais uma série de destinados a alimentação. O queijo é o primeiro derivado a sofrer influência direta da alta do preço do leite e a maioria das variedades já acumulam altas entre 20% e 25% somente nesta última semana.

O próprio produtor deverá receber um aumento nos próximos dias numa recuperação dos preços pagos pela indústria. Nada muito significativo perto do custo pago pelo consumidor final.

 


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