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Cidades

13/09/2019 ás 10h49 - atualizada em 18/09/2019 ás 19h02

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Falta de água preocupa Tenente Portela
Bairros São Francisco, Rubino Marroni e Fries já registram falta de água
Falta de água preocupa Tenente Portela
Na casa do presidente do Bairro sua mulher e filha mostram a falta de água enfrentada (Foto: Jonas Martins)

Nas últimas semanas as redes sociais e a redação do Sistema Província foram tomadas por uma série de reclamações de moradores do Bairro São Francisco em virtude da falta de água.


Nesta semana nossa reportagem deu destaque para a pauta e visitou o bairro. Conversamos com alguns moradores que se queixam que durante vários dias o abastecimento de água na parte alta do bairro parava de manhã e voltava somente de noite.


Segundo Maurício dos Santos, chefe do escritório da Corsan em Tenente Portela, o problema é mais sério do que supõe alguns moradores do Bairro São Francisco. O profissional explicou, para nossa reportagem, que a estiagem que atingiu a cidade nos últimos dias fez com que a quantidade de água nos poços e no reservatório principal diminuísse de maneira considerável e que por conta disso, outras áreas, como Bairros Rubino Marroini e Fries, também tem enfrentado problemas com a falta de água, principalmente entre as 18 e as 20 horas.


Tenente Portela possuí, segundo a Corsan, 10 poços ativos e uma fonte. Essa fonte sempre foi a principal fornecedora do município, suprindo cerca de 50% de toda a água que era usada pelos portelenses, no entanto, nos últimos tempos a estiagem fez com que a produção desse local diminuísse consideravelmente cobrindo apenas 20%.


A solução foi perfurar novos poços, no entanto, nos últimos seis meses ocorreram a perfuração de quatro poços, sendo que três deles não deram água e o quarto deu vazão muito baixa para ser utilizado.


Maurício disse que a falta de chuvas limita a produção de água, mas que o desperdício ainda é o principal vilão do consumo portelense. Por isso a Corsan iniciou uma campanha para que as pessoas evitem o desperdício.


Tecnicamente a Corsan está identificando vazamentos e buscando diminuir a perda de água. Hoje 30% da água em Tenente Portela é perdida, o número pode ser alto à primeira vista, no entanto, esse percentual está abaixo da média do estado onde a perda passa dos 40%. Sobre os vazamentos foram identificados 40 gargalos de perda de água, sendo que 20 já foram consertados. Equipes estão trabalhando nos demais.


Também já está pronto e aguardando apenas a ligação um novo poço, localizado em Linha Bianchini, que vai gerar cerca de 15 metros cúbicos por hora e ainda há um projeto de instalação de um novo reservatório (caixa de água da Corsan) com o dobro de capacidade da atual. Esse empreendimento deverá ser construído em breve no pátio do escritório local da Companhia.


Ainda está em estudo a necessidade de uma Estação de Tratamento de Água que seria instalada no Rio Turvo ou no Rio Guarita.


São todas iniciativas que tem por objetivo aumentar a produção de água dentro do município e por consequência melhorar a distribuição.


Tenente Portela nunca na sua história teve casos de racionamento de água, no entanto, se não houver uma forte conscientização da comunidade corre-se o risco que essa medida extrema possa ser tomada, bem como, a exemplo do que já ocorreu em outros municípios, a instituição de uma lei para multar quem desperdiçar.


Voltando ao Bairro São Francisco de onde partiram as reclamações pela falta de água, a situação no local é diferenciada. Ela funciona na modalidade de Bica Pública, isto é, a água distribuída em todas as casas gerando apenas uma conta que é paga pela prefeitura.


No bairro existe um poço e um reservatório de água que abastece a comunidade, no entanto, esse poço não está dando conta de produzir água suficiente para suprir a demanda de todas as casas. O poço está com sua produtividade comprometida e hoje opera no limite de sua capacidade, sendo que a equipe da Corsa faz vistorias diárias no local para evitar maiores problemas.


O restante da água que é consumida na comunidade é direcionada do reservatório central da Corsan. No mês de agosto as 163 casas que existem no Bairro consumiram 3755 metros cúbicos de água, sendo que o poço do bairro produziu 2900 metros cúbicos e ocorreu o direcionamento de outros 855 metros cúbicos do reservatório central.


O consumo do bairro chama a atenção, pois na média cada casa está gastando 23 metros cúbicos de água por mês, enquanto no restante da cidade a média de consumo é de 10 metros cúbicos por residência.


O presidente do bairro, seu Norberto Pohl, disse que existe muito desperdicio de água na comunidade. Ele nos ressaltou que cada residencia paga R$ 10 reais por mês, esse dinheiro serve para o pagamento da pessoa responsável, no caso o próprio presidente, para o trabalho de manutenção em possíveis vazamentos ou similares.


Seu Norberto disse que existe um acerto entre os moradores que essa pessoa é responsável pela manutenção na rua, mas internamente, ou seja, dentro das residências, é de obrigação dos moradores. Ele disse que mesmo assim, procura ajudar todos os que pedem socorro, mesmo nos casos de vazamentos internos e que muitas vezes compra peças, com  o que que seria o pagamento pelo seu serviço, para não deixar ninguém “mal”. Ele teme que hajam vazamentos que não são detectados a olho nu e por consequência não sejam detectados.


O desperdício é apontado por grande parte dos moradores como o problema principal do auto alto gasto de água no bairro.


Roseli da Silva, moradora do bairro, ressalta que é necessário que a comunidade crie uma conscientização e passe a gastar menos, que hoje há uma série de gastos desnecessários que acabam prejudicando toda a comunidade.


Um morador nos denunciou até casos de pessoas que usam a água encanada para lavar chiqueiros ou para limpar o calçamento, quando este fica embarrado.


Na terça-feira a Corsan e Prefeitura estiveram no bairro em uma reunião com os moradores. Segundo as informações, um grupo de residentes que mora na parte baixa do bairro, onde não há falta de água, não compareceram. Os demais receberam instruções para evitar os desperdícios e todos se unirem para cuidar da água.


Uma das alternativas encontrada foi a implantação de hidrômetros para medir o consumo de água em cada casa. O prefeito Clairton Carboni já fez um pedido para a Corsan para receber a doação dos materiais que serão instalados no bairro.


O plano, ressalta Mauricio dos Santos, ainda é colocar um noco reservatório no Bairro, com o dobro de capacidade. Ele rassalta que a ideia não é cobrar dos moradores, mas com o medido poder identificar possíveis vazamentos que não estão sendo detectados, bem como educar para o uso consciente.


A lei que garante a localidade na modalidade de Bica Pública, seguirá ativa. Não há nenhuma proposta em contrário, mas existe um movimento, dos próprios moradores, para que se identifique os gargalos de gastos desnecessários no bairro.


Segundo o presidente na quarta, 11, e quinta-feira, 12, não foi detectada falta de água no bairro.

FONTE: Jornal Província

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