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02/08/2019 ás 10h30 - atualizada em 02/08/2019 ás 10h33

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

De Vista Gaúcha para a Seleção Brasileira: A história do Jandir Bugs
Ele saiu de Bom Plano para se tornar ídolo do Fluminense, vestir a camisa de Grêmio e Internacional e passar pela seleção brasileira
De Vista Gaúcha para a Seleção Brasileira: A história do Jandir Bugs
Jandir jogou pela seleção brasileira em 1985 (Fotos: Arquivo Pessoal)

Quais as chances de um menino nascido em Bom Plano, hoje Vista Gaúcha, ou em qualquer outra comunidade em uma pequena cidade do interior, se profissionalizar no futebol e conquistar títulos por todos os clubes por onde passar, marcar gols nos maiores clássicos do futebol brasileiro, ser campeão brasileiro e ainda vestir a camisa da seleção? Claro que muito pequenas. Jandir Bugs, nascido em 9 de janeiro de 1961 nessas plagas, conseguiu esse feito.


Durante essa semana o Jornal Província conversou com esse personagem do futebol brasileiro que ainda mantém fortes relações com a região e que as novas gerações não conhecem. Não podem ser culpados por isso, afinal o tempo passa, as gerações mudam e as lembranças se apagam, no entanto, na memória dos torcedores do Fluminense do Rio de Janeiro, principalmente dos mais apaixonados, que lembram com saudosismo da era vitoriosa dos anos 80, o nome Jandir está fresco, junto com a memória dos inúmeros títulos que aquela geração conquistou.


Jandir deu seus primeiros chutes na bola em Bom Plano, nos campos improvisados, onde viveu a sua infância e jogou suas primeiras partidas. “Nós jogávamos futebol de salão, tínhamos um bom time de salão em Bom Plano e jogávamos mais futebol de salão, alguns torneios”, ele cita contando entre risos que o nome do time que era Os Invencíveis, “Era uma atração lá na comunidade, jogávamos eu, meu irmão Jair, o Nico, o Cláudio, enfim era um grande time”, relembra com saudosismo o volante de sucesso da década de 80.


A escolinha de futebol do Miraguai foi o espaço onde Jandir foi apresentado para o futebol de campo e onde começou a trilhar o caminho que lhe levaria para os gramados do Brasil. “Em Portela em comecei a jogar no Miraguai, eu jogava salão ainda, mas foi ali que comecei a jogar campo até me transferir para o Grêmio.”


A transferência para o Grêmio ocorreu quando Jandir tinha 14 anos. Ele conta que foi fazer testes no Grêmio. “Eu fiz um teste no Grêmio, acho que tinha uns 200 moleques e o treinador lá me deu uma orientação, disse que se eu entrasse na escolinha do Grêmio eles me olhariam com mais calma.” Ele disse que fez a inscrição na escolinha e ficou um ano lá, esperando uma oportunidade e então conheceu um menino que estava nas categorias de base que o levou no Inter, onde foi apresentado ao treinador e ficou uma semana treinando e ao final da semana acertou para seguir no Internacional onde fez toda a base, até completar 20 anos.


Jandir no inter


Jandir lembra que nas categorias de base chegou a jogar de meia esquerda no infanto juvenil, onde era artilheiro, mas a posição que lhe consagrou foi a de volante em uma época em que treinava no Internacional e se espelhava nos ídolos colorados do grupo principal, que tinha nomes como Batista e Paulo Roberto Falcão.


“Fiquei até os 20 anos na categoria de base do Inter, dai fui disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior e de lá veio a proposta para ir pro Fluminense, eu aceitei e fui pro Rio de Janeiro.” Era o passo que Jandir precisava dar para atuar profissionalmente.


A sua estreia foi em um clássico Fla-Flu em que ele estava no banco e ao final do primeiro tempo o Flamengo já vencia por 3 a 0. O treinador Lula o colocou em campo e ele teve a missão de marcar Zico, craque brasileiro, na época. Jandir na primeira disputa de bola já conquistou o torcedor de tal maneira que nunca mais saiu do time, ficando 8 anos com a camisa do Fluminense e participando de uma das melhores gerações do tricolor carioca.


Com a camisa do Fluminense, Jandir, jogou 320 jogos, segundo dados do próprio clube, tendo sido titular em 319 e reserva em apenas 1, na estréia. Era homem de marcação, jogava na frente da zaga, mas também marcou gols importantes com a camisa do Fluminense.


No tricolor do Rio o portelense conquistou o Campeonato Carioca em 1983, 1984 e 1985 e o principal título de sua carreira o Campeonato Brasileiro de 1984, além de outros torneios internacionais como o Torneio de Paris 1987 e Seul 1984. Seus números pelo Fluminense, foram destaques com 157 vitórias, 102 empates e 62 derrotas, tendo marcado doze gols.


Jogador seguro, de marcação firme e boa saída de bola, Jandir era peça fundamental no esquema que na campanha do título brasileiro passou os últimos cinco jogos decisivos sem tomar gols. Aquele grupo imortalizou jogadores como Branco que seria tetra-campeão do mundo em 1994, além de Delei, Assis, Washington e Tato, que se tornaram estrelas no time comandado pelo técnico Parreira, treinador do Brasil em 1994.


“Naquela época os clássicos eram uma loucura, no Maracaná, haviam sempre 80, 100 mil torcedor, dava um arrepio só de ouvir a torcida”, relembra o ex-jogador. Nos anos 80 o futebol carioca dominava o cenário brasileiro, tanto que a final nacional de 1984 foi entre Fluminense e Vasco. O Campeonato Carioca era uma dos mais disputados campeonatos estaduais do país.


 


Seleção Brasileira


Em 1985 o técnico da Seleção Brasileira era Evaristo de Macedo e ele chamou Jandir para o selecionado canarinho. Aquele foi um ano complicado para o futebol do Brasil, Evaristo não conseguiu acertar o time e o próprio grupo de jogadores, os mais antigos da equipe, estavam em pé de guerra com a imprensa. O episódio atrapalhou a passagem de Jandir com a camisa do Brasil, pois, logo em seguida Evaristo caiu e Telê Santana assumiu e decidiu mudar todo o grupo, inclusive Jandir e outros jogadores mais jovens.


Jandir treinando com Evaristo de Macedo


Havia uma expectativa muito grande para a convocação de Jandir para Copa do Mundo do México em 1986, mas ele acabou ficando de fora da convocação e não pode representar o Brasil na competição mundial.


“Em 85 o Macedo chegou a fazer uma reunião e dizer para aos mais velhos que eles estavam prejudicando os mais novos e eu estava voando naquela época, eu tinha grandes chances de ir”. Jandir não foi mas entrou para a história no seleto grupo de jogadores que vestiram a camisa mais vitóriosa do futebol.


Em 1988 Jandir foi contratado pelo Grêmio, junto com Edinho, que também veio do Fluminense, sendo que naquele ano o Grêmio vinha mal no Gauchão, mas conseguiu se recuperar com os reforços e chegou a final do Gauchão, onde foi campeão.


“No primeiro Grenal da final a gente estava perdendo por 1 a 0 e eu fiz o gol de empate no Taffarel e depois vencemos pelo placar de 3 a 1, o que nos deu o título.” Com a camisa do tricolor gaúcho Jandir ainda ganharia o Gauchão do ano seguinte e a Copa do Brasil, além da Super Copa de 1990.


Jandir permaneceu no Grêmio até o final de 1993 e depois se transferiu para o Internacional, onde ficou por apenas uma temporada, retornando ao Fluminense. Antes de encerrar a carreira Jandir ainda passou pelo Tubarão de Santa Catarina, onde conquistou o primeiro turno do estadual.


O  volante nunca perdeu sua ligação com a região. Quando estava no auge fazia questão de vir passar férias em Vista Gaúcha e mesmo após a aposentadoria, morando na capital do estado, disse que sempre que possível ele vem para região para ver os amigos e comer peixe na beira do rio. 


 

FONTE: Jornal Província

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Blog/coluna Apresentador da Rádio Província FM, sub-editor do Jornal Província e escritor, neste espaço você poderá acompanhar crônicas e opiniões de Jonas Martins
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