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20/07/2018 ás 11h02 - atualizada em 20/07/2018 ás 11h05

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Sobre monstros e cachorros
As férias escolares deveriam ser proibidas
Sobre monstros e cachorros

As férias escolares deveriam ser proibidas. As de inverno e as de verão. Não deveria existir feriado de Natal, Ano Novo, Páscoa, carnaval, e muito menos aqueles feriadões em que se emenda o fim de semana a uma sexta ou segunda sem expediente.


E as férias do trabalho? Podem continuar. Mas as pessoas em férias deveriam ser obrigadas a ficar em casa. Quem quiser viajar tem que ser preso.


Esse é o sonho dos cachorros. Eles não suportam mais ser tratados como coisa descartável.


Quem mora perto de rodovias sabe do que estou falando. Quando se aproximam essas épocas do ano, multiplicam-se os cães abandonados nas estradas. Pessoas ditas “de bem”, que na verdade são do mal, antes de viajar com os filhos, costumam ir com seus carros bonitos a um lugar isolado de uma estrada, e ali executam a tarefa diabólica de abandonar o cachorro de estimação da família.


Tarefa diabólica? Só uso essa expressão porque desconheço outra mais adequada. Mas sei que, ao usá-la, sou injusto com o diabo. Porque nenhum demônio da terra ou dos infernos faria algo tão perverso.


Nem belzebu, o próprio, largaria na estrada o amigo mais fiel para morrer de fome, frio, sede, solidão, medo, saudade e tristeza. Ou infecção, febre, gangrena e bicheiras provocadas pelos atropelamentos.


E os monstros, depois de largarem para a morte trágica o amigo querido, vão felizes viajar com seus filhos. Curtem dias de descanso na praia ou em lugares paradisíacos em que a vida natural é preservada. Lá fingem admirar a beleza da vida, enquanto por sua causa a vida de seu amigo fiel vai definhando em sofrimento atroz na beira da estrada.


Dá tristeza ouvir relatos de agricultores que encontram esses pobres animais abandonados. Vizinhos de beira de estrada costumam desabafar uns para os outros quando se visitam ou se encontram nas divisas de terras:


- Não dá mais – diz alguém -, é preciso fazer alguma coisa contra esses bandidos. É todo dia cachorro abandonado!


- E agora vai piorar – replica outro -, vêm as férias das crianças, e esses canalhas vão jogar fora mais cachorro para poder viajar sossegado!


Sou um desses moradores da beira da estrada. Semana passada ouvi de um vizinho:


- Era muito frio, tinha geada ainda. Segui um gemido no mato. Uma cadela grande, de raça, estraçalhada por um carro. Um bicho carniceiro devia estar comendo ela viva, porque as tripas estavam estendidas pelo chão. Não se mexia; só gemia. Tinha uma coleira bonita. Estava amamentando, saía leite das tetas. Daí liguei as coisas, porque uns dois dias antes achei quatro cadelinhas esmagadas no asfalto. Do mesmo pelo. O bandido abandonou a mãe com as femeazinhas. Decerto vendeu os machinhos.


Emocionei-me ao ver que no rosto queimado de sol desse homem forte rolaram duas lágrimas.


Claro que alguns desses animaizinhos são resgatados por agricultores abençoados. Mas com certeza mais de 95% dos cães largados morrem assim, no sofrimento mais cruel que se possa imaginar.


Quem faz isso não é racional. Não é humano. Nem pode ser animal, porque animal significa um ser que tem alma. Quem abandona assim um bicho indefeso é um monstro insensível.


E pode ter certeza que a maioria desses criminosos ainda falam em Deus. Muitos até vão a igrejas. Vociferam contra a corrupção e dizem defender a família. Falsários que mentem para suas crianças que o cãozinho fugiu. Depois da viagem compram outro animalzinho para o filho. Para um dia jogar na estrada também.


Triste é saber que ainda tem gente que vende cachorro por aí. Um absurdo. Isso contribui de forma direta para a continuidade dessa cadeia maldita de destruição da vida.


 

FONTE: Jornal Província

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Nilton Kasctin

Nilton Kasctin

Blog/coluna Promotor de Justiça, professor universitário e defensor do meio ambiente e do direito e bem estar do ser humano. Nilton Kasctin dos Santos escreve quinzenalmente no Jornal Província
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