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Especiais

26/04/2019 ás 10h45

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Presença de agrotóxico é detectado em água da região e gera preocupação
Corsan garante que qualidade da água é boa para consumo humano
Presença de agrotóxico é detectado em água da região e gera preocupação
Uma em cada quatro cidades brasileiras tiveram detectadas presença de agrotóxico na água (Foto: Reprodução/Internet)

A notícia de que foi detectada a presença de agrotóxicos em amostras de água na região, gerou grande alvoroço nesses últimos dias. As análises do período 2014 a 2017 detectaram a presença de agrotóxicos na água de 1 a cada 4 cidades brasileiras e entre elas estão várias cidades da região, como Três Passos que segundo o levantamento apresentou junto com a água a presença de 14 tipos diferentes de agrotóxicos.


Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.


Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.


Os dados abrangem os 27 tipos de agrotóxicos utilizados na atualidade, sendo que em Tenente Portela, Redentora, Vista Gaúcha e Derrubadas não foram encontrados nenhuma dessas substâncias. Barra do Guarita não teve dados computados.


Na microrregião a situação mais alarmante é de Miraguaí que teve a detecção de 10 tipos de agrotóxicos em sua água. A pesquisa ainda mostra que os testes detectaram a presença de 1 agrotóxico em concentração acima do limite considerado seguro no Brasil. A substância é o Aldrin. Ainda foram encontrados 5 agrotóxicos detectado acima do limite considerado seguro na União Europeia. Sendo que o limite permitido no Brasil é menor que na União Europeia, ou seja, a legislação do Brasil é mais rígida do que do bloco localizado no além-mar.


O Aldrin é proibido no Brasil, ele faz parte de uma lista de poluentes orgânicos persistentes (POPs), que têm características de alta persistência (não são facilmente degradadas), são capazes de transportarem por longas distâncias pelo ar, água e solo e podem se acumular em tecidos dos organismos vivos, sendo preocupantes para a saúde humana e meio ambiente. O Brasil é signatário da Convenção de Estocolmo, que tem como compromisso eliminar os estoques e resíduos dos POPs como um todo.


Coronel Bicaco teve a detecção de apenas um agrotóxico e este está acima do limite considerado seguro na União Europeia entre 2014 e 2017. Trata-se do Metacloro, que é um herbicida classificado como uma substância de alta persistência, além de ser considerado muito perigoso para o meio ambiente. Seu uso é liberado no Brasil.


Das 14 substâncias detectadas em Três Passos, apenas uma delas apresentava substância acima do limite considerado seguro na União Europeia.


A CORSAN, responsável pelo abastecimento de água no estado se pronunciou apenas através de uma nota oficial que você confere em destaque.


“As pessoas podem consumir a água  daqui. sem medo.”


Nossa reportagem conversou com Maurício dos Santos, gestor da CORSAN de Tenente Portela. Ele disse que oficialmente a CORSAN está se pronunciando apenas pela nota oficial que foi divulgada  para a imprensa.


Questionamos Maurício a respeito do tipo e forma com que ocorre o monitoramento da água nos poços que são atendidos pelo escritório central de Tenente Portela que atende ainda os municípios de Miraguaí, Vista Gaúcha e Barra do Guarita. Ele nos explicou que há uma coleta semanalmente e outra que é feita semestralmente. Sempre do poço e da rede, para verificar a qualidade da água.


A CORSAN mantém um laboratório altamente equipado para detectar qualquer tipo de anormalidade na água, uma vez que a legislação é muito rígida e a empresa é fortemente fiscalizada.


Ele cita que nestes testes são detectados todas as possíveis substâncias encontradas na água, como, por exemplo, metais pesados e quando e se detectado esse tipo de material, o poço em questão é imediatamente fechado e seu fornecimento interrompido, nem que para isso seja necessária o corte de abastecimento em determinada área.


Em relação ao tratamento que a água de Tenente Portela e região passa antes de chegar ao consumidor final, ele nos disse que são acrescidos apenas o cloro e flúor, uma vez que a água dessa região não demanda de nenhum outro produto químico para garantir a sua qualidade.“Eu tomamos a água da CORSAN. Nossa região tem uma água de excelente qualidade, que cumpre todas as normas estabelecidas pela legislação. As pessoas podem consumir a água daqui sem medo algum.” 


 


GRAFICO


Nota de Esclarecimento


Sobre matéria publicada nos últimos dias, relacionando a contaminação por agrotóxicos na água tratada, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) informa que a água distribuída à população nos 317 municípios gaúchos atende rigorosamente a legislação brasileira que determina os parâmetros de potabilidade da água para os sistemas de abastecimento. Também são monitorados outros 46 tipos em atendimento à legislação estadual (Portaria 320/2014 da Secretaria da Saúde.


A Corsan ressalta que os dados utilizados na pesquisa apresentada foram retirados do Sisagua (Sistema de Abastecimento de Informação de Vigilância de Qualidade da Água para Consumo Humano) e referem-se a amostras de água bruta (ainda não tratada). A empresa informa que, sempre quando é detectado algum agrotóxico na água bruta, é realizada a análise da água tratada correspondente, não havendo histórico de presença  desse agente após o tratamento.


A Corsan e a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) estão pedindo esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre os valores disponibilizados com relação à presença de agrotóxicos na água usada para consumo humano, a fim de não ocorrer interpretação equivocada como ocorreu no material divulgado por veículos de imprensa.


 

FONTE: Jornal Província

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