OUÇA 100,7 AO VIVO
Quarta, 22 de maio de 2019
55 3551 1200 I Jornal - 55 3551 1121 I CNPJ: 03.043.551/0001-20
Especiais

19/04/2019 ás 11h21

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Nilton Kasctin: Cristianismo sem Cristo
Feliz Páscoa! Aos cristãos de verdade.
Nilton Kasctin: Cristianismo sem Cristo
(Foto: Reprodução/Crédito na imagem)

A prisão de Jesus não foi postulada pelo órgão acusador do Estado, muito menos por alguma vítima de eventual crime que tivesse cometido o Mestre, mas pelos próprios líderes religiosos. Os mesmos organizadores da mais importante festa de adoração a Javé, a Páscoa.


         O julgamento é sumário. Com provas falsas, testemunhas mentirosas e sem direito de defesa. Mesmo sem antecedentes, a condenação é à pena capital. Jesus deve morrer pregado numa cruz. Depois de inominável tortura física.


         A emoção toma conta dos líderes religiosos do Judaísmo e de suas seitas (fariseus, saduceus etc.). Para eles, essa é a Páscoa mais importante desde Moisés. Porque Jesus pendurado numa cruz, morto, representa a melhor resposta a quem ousou atacar a tradição político-religiosa. A tradição que privilegia o rico e oprime o pobre. Que classifica as pessoas em castas inferiores e superiores, em pecadoras e santas. A tradição que é capaz de ditar quem é de Deus e quem é do diabo. Pela aparência, apenas.


         Alguém tem dúvida de que Jesus morre apenas por defender a justiça e a verdade?


         E morre nas mãos dos líderes do Judaísmo da época e de suas seitas. Que roubam em nome de Javé. Enganam, mentem, enriquecem e praticam toda sorte de injustiça. Tudo em nome de Deus. A decadência moral desses líderes é tal, que agora já estão aptos a matar. Em nome de Deus.


         É assustador, mas vejo uma semelhança meridiana entre o Judaísmo que matou Jesus e o Cristianismo do Brasil de hoje.


         Claro que no Brasil existem cristãos genuínos. Poucos. Que não aceitam a situação deplorável em que se tornou o Cristianismo moderno. Assim como havia alguns judeus fiéis cumpridores dos Mandamentos. Que defenderam Jesus e choraram sua morte.


         Mas, como instituição, o Cristianismo brasileiro está em frangalhos. Metido até ao pescoço com a injustiça e a mentira. Exatamente como o Judaísmo da época de Jesus.


         E a principal causa dessa decadência do Cristianismo brasileiro é o seu profundo envolvimento com a política. A política suja que prega o ódio contra quem pensa diferente. Bem como aconteceu com o Judaísmo e suas seitas da época de Jesus, que um dia decidiram lançar candidatos a cargos políticos para defender os interesses de sua agremiação religiosa.


         Em troca de privilégios do Estado, as igrejas cristãs, através de seus líderes, não vendem apenas os votos dos fiéis, mas também a dignidade de pessoas honestas que são enganadas em nome de Deus.


         E os argumentos usados por esses líderes são os mais infames e mentirosos. Em eleições passadas, defendiam seus candidatos porque havia risco de fechar as igrejas. Agora, quando o tal comunismo já não é mais nenhuma ameaça, o argumento é o perigo de extinção da família.


         A propósito, informo que a família jamais será tocada por quem quer que seja, porque ela é um instituto divino. Desde o Éden, ninguém conseguiu destruí-la. Nem em Sodoma.


         A família não precisa de defesa política. Quem lança candidato pela família está te enganando.


         Informo mais uma coisa. Em todo o Universo, só existem três seres que podem defender a família: o pai, a mãe e o Espírito Santo.


         Quem precisa de defesa política são os pobres, desempregados, doentes, idosos, crianças e mulheres vulneráveis, os índios, os negros pobres, os sem teto, os sem terra, os moradores de rua, os drogados e a Obra da Criação (os animais, a água e as florestas). Só que para essa finalidade não há candidato cristão. Porque com essas bandeiras não é possível enganar o eleitor.


         Os cinco brasileiros mais ricos acumulam a mesma riqueza que 50% da população mais pobre do País. Esses cinco possuem riqueza equivalente ao que possuem juntos outros cem milhões de brasileiros. E não ganharam isso trabalhando.


         Sabe como os parlamentares ditos cristãos chamam isso? Bênção da prosperidade. Bênção de Deus! E no Congresso votam pela continuidade dessa injustiça. Em nome de Cristo.


         Feliz Páscoa! Aos cristãos de verdade.

FONTE: Jornal Província

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
Veja também
Nilton Kasctin

Nilton Kasctin

Blog/coluna Promotor de Justiça, professor universitário e defensor do meio ambiente e do direito e bem estar do ser humano. Nilton Kasctin dos Santos escreve quinzenalmente no Jornal Província
Facebook
© Copyright 2019 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium