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22/03/2019 ás 11h05 - atualizada em 22/03/2019 ás 21h33

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Marlon Taborda: “A condenação dos réus foi o fechamento de um ciclo para mim”
Marlon Taborda representou a vó de Bernardo, dona Jussara Uglione, durante a fase processual, atuando como auxiliar de acusação
Marlon Taborda: “A condenação dos réus foi o fechamento de um ciclo para mim”
Marlon Taborda era advogado da vó do menino Bernardo (Néia Dutra/GES)

No programa Tribuna Popular do último sábado, 23, o advogado Marlon Taborda concedeu entrevista, poucas horas após a juíza Sucilene Engler Werle ter lido a sentença que condenou os réus acusados pela morte de Bernardo Boldrini e falou sobre a sua relação com o caso.


Marlon Taborda representou a vó de Bernardo, dona Jussara Uglione, durante a fase processual, atuando como auxiliar de acusação e apenas deixou o caso após a morte da matriarca da família.


“Essa sentença foi o fechamento de um ciclo para mim. Um ciclo que iniciou muito antes da morte de Bernardo, quando eu já representava a dona Jussara e a gente tinha notícia do estado que Bernardo vivia.” Disse o jurista ao responder a pergunta de como recebia o resultado do júri.


Ele disse também que não iria comentar sobre a sentença, pois, acredita nas instituições e na justiça.


Sobre a morte do menino, ele disse ter certeza que a ideia nasceu na mente de Graciele Uguline, quando Leandro sofreu um acidente de moto e temendo a morte do médico, sabendo que Bernardo ficaria com tudo, ela começou a traçar o plano. “Não tenho dúvida que foi naquele momento. Ela sempre quis casar com um médico e quando o acidente aconteceu ela temeu perder esse status e começou a plenejar a morte de Bernardo.”


O advogado se emocionou bastante e chegou a chorar ao falar sobre o caso. “Me desculpe a emoção, mas eu vivi esse caso tão intensamente, que ele faz parte de mim.” Confessou o advogado com a voz trêmula pelo choro.


Marlon Taborda contou que tinha uma relação com a família que ia além do profissional, pois, conhecia a avó e a mãe de Bernardo desde a juventude.


Ele também comentou que esteve junto com o caso desde o começo, uma vez que se deslocou a Frederico no dia em que o corpo foi encontrado e ajudou no reconhecimento. “Eu não consigo descrever tudo isso, foi um choque muito grande, então agora é uma ferida, um ciclo, que se fecha para mim como profissional e como pessoa.”


Por fim ele agradeceu as pessoas que nunca esqueceram de Bernardo e mantiveram viva a sua imagem. Ele também fez uma referencia a imprensa que se empenhou em cobrar das autoridades uma solução para o caso e em especial ao Sistema Província com quem manteve boa relação durante todo o caso.


Partes devem recorrer da sentença:


Promotor de Justiça, Bruno Bonamente, interpôs, nesta terça-feira (19), recurso com o objetivo de aumentar as penas aplicadas aos quatro condenados pela morte de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos. O crime ocorreu em abril de 2014.


Na última sexta-feira (15), o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Três Passos acatou a tese de acusação do Ministério Público e considerou culpados os réus Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz, pela morte e ocultação de cadáver. O pai do garoto também foi condenado pelo crime de falsidade ideológica.As razões de recurso, no entanto, devem ser apresentadas quando da abertura do prazo para tal, que ocorrerá depois da juntada da transcrição de todo o julgamento. A estimativa é que isso aconteça em meados de abril.


As defesas devem recorrer também mas com objetivo contrário, os advogados devem pedir revisão da pena. A defesa de Leandro Boldrini deve pedir a anulação do julgamento, pelo menos foi o que demonstrou durante uma consignação no julgamento.


Depois do julgamento nenhum advogado voltou a falar com a imprensa sobre o assunto.


O Júri:


Após cinco dias, chegou ao fim na sexta-feira (15), no Fórum de Três Passos, o julgamento dos quatro acusados pela morte de Bernardo Uglione Boldrini. Eram réus no processo penal, o pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz..


Entre segunda e quarta-feira foi realizada a fase testemunhal do julgamento. Na lista de pessoas arroladas pelo Ministério Público e defesas estavam, entre outras, as delegadas da Polícia Civil, Caroline Bamberg Machado e Cristiane de Moura e Silva Braucks, além da empresária Juçara Petry, da psicóloga Ariane Schmitt, do perito Luiz Gabriel Costa Passos e Andressa Wagner, ex-secretária do médico Leandro Boldrini.


Ainda na quarta-feira teve início o interrogatório dos réus. O primeiro foi Leandro Boldrini. O médico respondeu aos questionamentos da Juíza Sucilene Engler, do Ministério Público e da defesa, por quase quatro horas.


No decorrer desta quinta-feira, foram inquiridos os outros acusados: Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. A acusação ficou impedida de interrogar os três. Eles somente responderam as perguntas oriundas da magistrada e de seus advogados.


Na tarde de ontem começaram os debates. Os Promotores Bruno Bonamente, Sílvia Miron Jappe e Ederson Maia Vieira, se revezaram na explanação do Ministério Público por cerca de quatro horas. O mesmo tempo foi disponibilizado para os advogados dos acusados, sendo que cada defesa falou por uma hora aproximadamente. Os debates foram finalizados já na madrugada desta sexta-feira (15).


O julgamento recomeçou às 10 horas de hoje com a réplica do Ministério Público diante das argumentações das defesas. Em seguida, os advogados de Leandro, Graciele, Edelvânia e Evandro, apresentaram suas tréplicas. Pouco antes das 15 horas, a Juíza Sucilene Engler suspendeu os trabalhos.


As 18h45min foi liberada a entrada dos 40 inscritos para assistir o julgamento no Fórum de Três Passos. Neste momento também era grande a movimentação de populares nas imediações do prédio. Um forte aparato de segurança ficou montado durante os cinco dias do júri. 


Por volta das 19 horas, a Juíza Sucilene Engler iniciou a leitura da sentença dos quatro réus. Veja a pena de cada um:


- Leandro Boldrini: Foi condenado a 33 anos e oito meses de reclusão.


Do total, 30 anos e oito meses são por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação); dois anos por ocultação de cadáver e um ano por falsidade ideológica.


- Graciele Ugulini: Foi condenada a 34 anos e sete meses de prisão.


Do total, 32 anos e oito meses por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação) e um ano e 11 meses por ocultação de cadáver.


- Edelvânia Wirganovicz: Foi condenada a 22 anos e dez meses de reclusão.


Do total, 21 anos e quatro meses por homicídio qualificado (emprego de veneno e mediante dissimulação), e mais um ano, seis meses e 14 dias por ocultação de cadáver.


- Evandro Wirganovicz: Foi condenado a nove anos e seis meses de prisão.


Do total, oito anos são por homicídio simples e um ano e seis meses por ocultação de cadáver. Como Evandro já cumpriu parte da pena, a magistrada determinou que o restante da condenação seja em regime semiaberto.

FONTE: Jornal Província

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