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14/03/2019 ás 22h58 - atualizada em 14/03/2019 ás 23h18

Diones Roberto Becker

Tenente Portela / RS

Três acusados prestaram depoimentos nesta quinta-feira
Representantes do Ministério Público foram impedidos de fazer questionamentos a Graciele Ugulini, Edelvânia e Evandro Wirganovicz
Três acusados prestaram depoimentos nesta quinta-feira
Julgamento entrou no quarto dia nesta quinta-feira e ocorre no Fórum de Três Passos (Fotos: Reprodução/Márcio Daudt/TJ-RS)

O quarto dia de julgamento dos acusados pela morte de Bernardo Uglione Boldrini iniciou na manhã desta quinta-feira (14). De acordo com a Polícia Civil, o menino de 11 anos foi morto no dia 04 de abril de 2014, após receber uma super dosagem do medicamento Midazolan.


O primeiro dos réus a prestar depoimento foi Leandro Boldrini, na tarde de ontem (13). O pai do garoto assassinado respondeu por quase quatro horas as perguntas oriundas da Juíza Sucilene Engler, do Ministério Público e de seus advogados. A defesa de Edelvânia Wirganovicz fez apenas um questionamento.


- Depoimento de Graciele:


Durante a manhã de hoje, ocorreu o interrogatório de Graciele Ugulini, O advogado não permitiu que a ré fosse inquirida pelo Ministério Público, autor da ação criminal. A madrasta de Bernardo apenas respondeu as perguntas da magistrada que preside o júri e das defesas dos acusados.



Chorando o tempo todo, Graciele disse que amava o enteado como um filho e que viveu um trauma depois que sofreu um aborto espontâneo. Também afirmou que era sobrecarregada em virtude do excesso de trabalho atribuído por Leandro Boldrini. – Isso me deixou em depressão – revelou a madrasta.


Morte acidental:


A acusada disse que o enteado pediu para ir junto a Frederico Westphalen e tomou em casa um remédio para enjoo. No interior de Tenente Portela, Graciele foi autuada pela Polícia Rodoviária Estadual por excesso de velocidade. Ela declarou que o fato deixou Bernardo agitado e que ele dizia: “a gente vai ser preso”. Então, a madrasta deu Ritalina para o menino, mas ele seguiu agitado. – Depois joguei a bolsa no banco de trás e mandei ele tomar mais remédio. Não vi quanto o Bernardo ingeriu – relatou a ré.


Graciele contou que chegando a Frederico Westphalen encontrou-se com Edelvânia e trocaram de carro. O motivo seria que a amiga queria lhe mostrar o veículo novo e estava aprendendo a dirigir. – Bernardo permanecia no banco de trás do carro, imóvel e babando. Estava sem pulso. Vi que faltavam cinco ou seis remédios na cartela – disse a interrogada.


A ré ainda frisou que insistiu para que Edelvânia a ajudasse. A amiga cedeu e indicou um lugar para enterrar o corpo, no interior de Frederico Westphalen. – A Edelvânia cavou o buraco com uma chave de roda. Não tinha soda caustica – reafirmou Graciele, acrescentando que não houve a injeção letal no menino.


Pós-enterro:


Depois que enterraram o corpo da criança, Graciele disse que tentou esconder o fato de Leandro e parecer normal, inclusive indo a uma festa no final de semana na cidade de Três de Maio.


Leandro fez contatos e buscas pelo filho. – Bernardo tinha uma agenda e ficávamos ligando para os colegas – declarou a madrasta.


Denúncia:


Graciele Ugulini, conforme a denúncia do Ministério Público, concorreu para a prática do crime ao associar-se a Leandro Boldrini no planejamento da morte, participando diretamente de sua execução em todas as etapas, arregimentando comparsas para a prática criminosa, conduzindo a vítima até o local de consumação do homicídio, ministrando-lhe medicamento tanto por via oral quanto intravenosa, além de engendrar e encenar etapas de álibi.


O motivo seria porque ela e Leandro não queriam partilhar com Bernardo os bens deixados por Odilaine Uglione e ainda porque consideravam o menino ‘um estorvo’. Graciele teria oferecido dinheiro à Edelvânia Wirganovicz para ajudá-la a matar o garoto. A acusada também responde por ocultação de cadáver.


- Depoimento de Edelvânia:


Edelvânia Wirganovicz foi a segunda acusada no processo criminal a prestar depoimento nesta quinta-feira. Ela detalhou que sua participação na morte de Bernardo foi indicar e cavar aonde o corpo foi enterrado. A ré inocentou seu irmão Evandro.



A depoente salientou que já morou junto com Graciele. Também revelou que acobertava um relacionamento que a amiga tinha em Frederico Westphalen. – No dia em que Bernardo foi morto, a Graciele teria um encontro com o amante. Ela disse a Leandro que iria para Frederico Westphalen comprar uma televisão. Foi o médico que mandou Bernardo acompanhar a madrasta – declarou a ré.


Edelvânia contou que naquela sexta-feira encontrou Graciele e Bernardo, e que ficou com o menino na praça para que a amiga pudesse rever o amante. – O garoto começou a surtar. Graciele voltou, abriu a bolsa e deu remédios para ele. Colocamos ele no meu carro e ele desmaiou – contou a assistente social.


A acusada falou que insistiu para levar a criança ao hospital, mas a madrasta não deixou. – Quis ir à delegacia, mas fui ameaçada de morte. Tu vai levar a culpa porque é pobre – teria dito Graciele para Edelvânia. A madrasta também teria efetuado ameaças contra a família Wirganovicz.


Cova:


– Trabalhei na lavoura até meus 17 anos. Eu tenho força para fazer uma cova. Meu irmão é inocente – afirmou Edelvânia. Ela é quem indicou o local para enterrar o corpo e feito a cova vertical.


Depois de enterrar o corpo, as duas amigas voltaram para a cidade de Frederico Westphalen e Edelvânia jogou as roupas de Bernardo em uma lixeira na frente do prédio onde residia.


Recompensa:


Edelvânia negou que recebeu dinheiro antecipado de Graciele para que ajudasse a matar Bernardo. – Ela só me ofereceu dinheiro para que eu não contasse a polícia – disse a ré.


No depoimento também relatou que pagou os R$ 6 mil, referentes às parcelas de seu apartamento, com dinheiro próprio. – Não passava por problemas financeiros porque recebia ajuda do companheiro – acrescentou a assistente social.


Desmaio:


O interrogatório foi suspenso quando Edelvânia desmaiou no Plenário e precisou de atendimento médico. Ao retornar, a acusada não respondeu mais nenhuma questão e o depoimento dela foi encerrado.


- Depoimento de Evandro:


Último dos quatro réus a prestar depoimento, Evandro Wirganovicz foi ouvido na tarde desta quinta-feira. Ele é acusado de ter aberto a cova aonde o corpo de Bernardo foi enterrado, no interior de Frederico Westphalen.



O motorista negou participação no homicídio. – Nunca fiz nada de errado. O que eu sei é o que a mídia falou – declarou Evandro. Ele acrescentou: “tenho orgulho de ser quem eu sou. Deus sabe que eu não devo. Vou contar tudo o que aconteceu para os meus filhos”.


Versões:


O acusado chorou ao falar que, quando o crime ocorreu e ele foi preso, não sabia de nada. Alegou que mudou as versões para a polícia sobre a sua presença no local próximo aonde Bernardo foi enterrado porque sentiu medo. – Eu não fiz. Eu não devo. Perdi tudo. Quem fez, sabe que tem que pagar. Mas eu não fiz – reiterou Evandro.


Impedimento:


O Ministério Público também não pode fazer perguntas ao acusado, que respondeu somente aos questionamentos da Juíza Sucilene Engler e das defesas dos outros réus.

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