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13/03/2019 ás 22h28 - atualizada em 13/03/2019 ás 23h25

Diones Roberto Becker

Tenente Portela / RS

Depoimento de pai do menino durou cerca de quatro horas
Leandro Boldrini foi o primeiro dos quatro réus a prestar depoimento
Depoimento de pai do menino durou cerca de quatro horas
Médico é acusado de homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica (Foto: Reprodução/TJ-RS)

O terceiro dia de julgamento dos quatro acusados pela morte de Bernardo Uglione Boldrini, ocorrida em abril de 2014, começou com o depoimento de um ex-prestador de serviços e uma ex-professora de Leandro Boldrini. Também foi ouvido um perito contratado pela defesa do médico. Esses três depoimentos encerraram a fase testemunhal do júri.


Por volta das 15 horas desta quarta-feira (13), Leandro Boldrini sentou-se na cadeira reservada as testemunhas e réus no processo criminal. Primeiramente, ele respondeu as perguntas elaboradas pela Juíza de Direito, Sucilene Engler, que preside o Tribunal do Júri que é realizado no Fórum de Três Passos.


O médico relatou como era o cotidiano da família e afirmou que os atritos entre a madrasta e Bernardo iniciaram em 2013, logo após o nascimento de Maria Valentina, filha de Leandro e Graciele. – A Maria Valentina nasceu prematura, por isso a Graciele criou uma espécie de ‘bolha’ em torno dela, não permitindo a aproximação de Bernardo – contou o médico.


Mesmo sabendo dos atritos entre sua mulher e seu filho, Leandro disse à magistrada que não achou estranho que os dois viajaram juntos para Frederico Westphalen e, no final da tarde daquela sexta-feira (04 de abril de 2014), quando reencontrou Graciele, foi informado que Bernardo iria dormir na casa de um colega de escola.


O médico ainda falou sobre a audiência judicial realizada em fevereiro de 2014, motivada pelo desejo de Bernardo em ganhar mais afeto e atenção do próprio pai. – Depois da audiência, nos reunimos em casa e falei que precisávamos resolver isso. Achei que tinha resgatado a harmonia familiar – ressaltou Leandro.


Em relação ao fim de semana em que Bernardo desapareceu, o médico contou a Juíza de Direito que somente começou a procurar pelo filho no meio da tarde do domingo (06 de abril de 2014), indo a casa onde Graciele afirmou que o garoto estaria. Não encontrando Bernardo na residência do colega de escola, Leandro disse que ligou para pessoas conhecidas e percorreu várias ruas da cidade de Três Passos, antes de dirigir-se a Delegacia de Polícia para comunicar o desaparecimento do filho.


Ainda inquirido pela magistrada, Leandro relatou como tomou conhecimento da morte do filho e suas reações frente à Graciele, que confessou o crime. – Nunca desconfiei da Graciele. Não perdi o controle porque me levaram para outra parte da delegacia – disse o médico.


Inquirição do MP:


A primeira pergunta do Ministério Público (MP) partiu do Promotor Bruno Bonamente. Ele perguntou ao réu como era seu relacionamento com Graciele. – Tentei melhorar a relação entre Bernardo e a madrasta. Levei o menino até em um psiquiatra – contou o médico.


O Promotor questionou também de que forma Bernardo se encaixava na família, depois da chegada da madrasta e o nascimento da Maria Valentina. – O Bernardo já definia o que ele queria fazer. Estava crescendo, estava com 11 anos – justificou o acusado.


Na sequência, a Promotora Sílvia Miron Jappe perguntou por que o médico em um interrogatório anterior afirmou que era pai apenas de uma filha. – Por que naquela oportunidade faltou a lembrança de seu filho Bernardo – acrescentou a Promotora.


Leandro respondeu que o interrogatório é um momento tenso. – Eu poderia ter complementado na época, mais um filho. Eu estava preso e sob interrogatório, isso é um momento tenso – argumentou o médico, ao que a Promotora retruca: “Tal qual situação o senhor está hoje aqui. A prisão lhe fez lembrar do Bernardo então?”.


Clima tenso:


O clima entre Ministério Público e a defesa de Leandro Boldrini se exaltou quando o Promotor Ederson Luciano Maia Vieira esboçou uma cronologia da sexta-feira (04 de abril de 2014) quando Graciele levou Bernardo até Frederico Westphalen.


Respondendo sobre sua rotina de trabalho, o médico disse que chegou para almoçar em casa naquela sexta-feira por volta das 12 horas e demorou entre 15 e 20 minutos para fazer a refeição. Então, o Promotor pergunta como ele não viu Graciele e Bernardo saindo juntos, pois uma câmera de monitoramento, na Avenida Costa e Silva, flagrou a passagem do veículo com a madrasta e o enteado às 12h23min daquele dia.


O Promotor repete a pergunta: como o senhor não viu eles saindo juntos? O médico responde: eu já tinha ido para o meu quarto ‘cestiar’ (dormir). Neste instante, a defesa de Leandro Boldrini interrompe o depoimento e orienta que seu cliente permaneça calado dali em diante.


Diante do silêncio do réu, o Promotor pede que suas perguntas sejam consignadas. O pai do menino assassinado só volta a responder quando o espaço é destinado aos seus advogados.


Denúncia:


De acordo com a denúncia do Ministério Público, Leandro Boldrini é o mentor intelectual do crime e incentivador da atuação de Graciele Ugulini em todas as etapas, inclusive no que diz respeito à arregimentação dos colaboradores, Edelvânia e Evandro Wirganovicz. O médico teria patrocinado despesas e recompensas, e também fornecido meios para acesso à droga Midazolan, utilizada para matar o menino.


Para o MP, Leandro e Graciele não queriam partilhar a herança de Odilaine Uglione com Bernardo, que representava um estorvo para a nova unidade familiar, formada pelo médico, a madrasta e a filha do casal.


Quarto dia de julgamento:


Os trabalhos no Salão do Júri do Fórum de Três Passos serão reiniciados às 09 horas desta quinta-feira (14). Serão ouvidos os outros três réus no processo criminal: Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz.


Já existe a expectativa que os debates entre MP e as defesas dos acusados ocorram durante a próxima sexta-feira (15). Antes do início do julgamento, na última segunda-feira, a Juíza Sucilene Engler permitiu o aumento no tempo destinado à manifestação das partes. Com isso, o Ministério Público terá quatro horas e outras quatro horas serão divididas entre as defesas dos réus.

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