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08/03/2019 ás 19h28 - atualizada em 14/03/2019 ás 23h47

Eduardo Sarvadori

Tenente Portela / RS

Caso Bernardo: Dez testemunhas são retiradas pela defesa
Julgamento dos quatro acusados do homicídio está marcado para começar na segunda-feira (11), quase cinco anos depois do assassinato do menino
Caso Bernardo: Dez testemunhas são retiradas pela defesa
Julgamento dos quatro acusados do crime começa na segunda-feira (11) (Foto: Gazeta do Povo)

A menos de três dias do início do júri popular, 10 testemunhas foram retiradas da lista pelos advogados dos quatro acusados de assassinar o menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos. Assim, 18 pessoas serão ouvidas pelos sete jurados, em vez das 28 iniciais.


O advogado Hélio Francisco Sauer, que defende o réu Evandro Wirganovicz, retirou todas as suas oito testemunhas. Procurado por GaúchaZH, ele preferiu não comentar a estratégia da defesa e o motivo da redução. Duas testemunhas do pai de Bernardo, Leandro Boldrini, também foram removidas da lista pelo seu advogado, Ezequiel Vetoretti.


O Tribunal de Justiça informou que a movimentação de testemunhas faz parte do rito normal do processo e da estratégia de cada advogado. A corte disse ainda que a redução no número de testemunhas não diminui a expectativa de que o julgamento dure, ao menos, uma semana.


O julgamento será realizado em Três Passos, a partir das 9h30min, e será conduzido pela juíza Sucilene Engler Werle. A Brigada Militar preparou um esquema de segurança para evitar a aglomeração de pessoas nas proximidades do prédio.


O caso:


Bernardo desapareceu em 4 de abril de 2014 de Três Passos, onde vivia com o pai, o médico Leandro Boldrini e a madrasta, Graciele Ugulini. Ele foi encontrado morto 10 dias depois, no interior de Frederico Westphalen. Amiga da madrasta, Edelvânia Wirganovicz levou os policiais até a cova onde o menino foi enterrado. Ela confessou ter participado da morte do menino, com Graciele.


A madrasta e o marido se tornaram réus no caso. O irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz, também foi preso e responde pelo crime. Ele é acusado de ter ajudado a cavar a cova onde o corpo do menino foi ocultado. Segundo a denúncia do MP, Graciele e Edelvânia teriam dado dois comprimidos calmantes ao menino e uma injeção, que teriam provocado a morte da criança. Os quatro vão a julgamento na segunda-feira (11).


O que diz a defesa:


Nesta sexta-feira (8), GaúchaZH conversou com os quatro advogados, para questionar sobre a estratégia para o júri. Confira abaixo:


- Leandro Boldrini


Os advogados do pai do menino Bernardo, Ezequiel Vetoretti e Rodrigo Grecellé Vares, preferiram não gravar entrevista. No entanto, enviaram nota para GaúchaZH:


"A  defesa  de  Leandro Boldrini confia  no  Tribunal  do  Júri  e  espera um  julgamento  justo,  amparado  nas  provas do  processo.  O  processo fala  e  o  Júri  terá,  certamente,  a  sabedoria  para  ouvir  e  fazer  a  tão esperada justiça. Reiteramos o nosso respeito pela nobre atividade desempenhada pela imprensa".


- Graciele Ugulini:


O advogado Vanderlei Pompeo de Mattos, que defende a madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, preferiu não se manifestar.


- Edelvânia Wirganovicz:


O advogado Gustavo Nagelstein, que defende a amiga da madrasta de Bernardo, declara que vai apresentar à sociedade uma outra versão, não "contaminada pelo preconceito". Para ele, as provas arrecadadas pelo Ministério Público e Polícia Civil são frágeis e não demonstram a participação de sua cliente no homicídio.


— Vamos apresentar uma linha de raciocínio que é bem razoável no sentido de que ela foi envolvida nessa trama toda. Ela estava, efetivamente, dentro do carro e isso não se nega. Mas a participação dela no homicídio não existe. Não houve participação premeditada — declara Nagelstein.


O advogado, diz ainda, que Edelvânia participou somente na ocultação de cadáver, e não no assassinato. Por fim, Nagelstein ainda afirma que, caso ela seja condenada apenas por ter auxiliado a esconder o corpo, a sua pena já teria sido cumprida, devido ao tempo que já ficou no cárcere.


- Evandro Wirganovicz:


O advogado Hélio Francisco Sauer, que defende Evandro, disse que não irá se manifestar antes do júri.

FONTE: Zero Hora

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